‘Take’ e a personalidade artística de MINO.

O movimento hip-hop ganha notoriedade na Coreia do Sul entre os anos 80 e 90, com o gigante interesse da juventude pelas rimas. Não demorou muito até os versos de rap conquistarem a música pop e deixarem a obscuridade das ruas para habitar o tão sonhado mainstream

Após revelar diversos nomes, é esperado que a indústria se pasteurize, criando diversos wannabe’s e carecendo de originalidade com o passar dos anos, como se é esperado de qualquer mecanismo de produção musical. No entanto, existem artistas que, no auge de sua carreira ainda fazem valer a pena a grande onda de expectativas que se forma sobre cada lançamento, um destes é Song Minho, também conhecido como MINO

Começando sua carreira como rapper underground, Minho conquistou espaço no mainstream com muito trabalho, cativando pessoas dentro e fora da Coréia com sua arte tão particular. Em 2014, Mino fez sua estreia como membro do boygroup Winner’, agenciado por uma das maiores empresas de entretenimento de todo o K-pop. Desde sua primeira aparição, o rapaz chamava atenção por sua habilidade de escrever letras e entregá-las de maneira impecável. 

Em 2016, fez sua icônica participação no reality show ‘Show me the money’, responsável por revelar talentos para a nova cena do hip-hop. As faixas lançadas durante o programa ‘okey dokey’ e ‘fear’ são massivamente reproduzidas até hoje, a segunda se tornando uma das canções mais ouvidas daquele ano. 

Ainda em 2016, Mino fez seu segundo debut ao lado do companheiro de empresa Bobby (iKON), em uma unidade chamada MOBB, conquistando o prêmio de best hip-hop no Seoul Music Awards do ano seguinte e, chamando atenção internacionalmente.

Breve resumo dos trabalhos de Mino como solista, antes mesmo de seu debut solo oficial, que aconteceu em 2018 com o álbum ‘XX’.

Como solista, o Song também teve grandes feitos. Seu primeiro álbum ‘XX’, lançado em 2018, alcançou primeiro lugar no chart melon – um dos maiores da Coreia do Sul durante 10 dias consecutivos. — Além disso, o cantor venceu a categoria de Rap/Hip-hop do Golden Disk Awards em 2019. Nos music shows, Mino foi o solista que conseguiu o win semanal mais rápido. 

Para além da carreira musical, o rapper se mostra um artista completo ao produzir desenhos, pinturas, fotografias e expor sua paixão por moda e tatuagens. 

Mino sempre foi muito próximo de diversos manifestos artísticos como pintura e fotografia; O cantor, apesar de idol, sempre expõe suas singulares tatuagens. Song fez seu debut como artista plástico em 2019, em uma exposição somente sua.

A abertura de ‘Take’ com Love and a Boy cria envolvimento automático com o ouvinte, mostrando já de início o impacto do som característico de Song Minho. Diante da maior porção de autonomia de sua carreira, o rapper tomou parte em todas as letras e produção deste álbum; em Love and a boy, Song conta sobre seus fardos sendo um artista jovem, com emoção e carisma de sobra. 

Ao contrário de seu debut que aposta na força dos palcos, em Run away, Mino mostra confiantemente a força de sua rima. Seu flow brilha no auge da sensibilidade do artista, que prolonga sua personalidade não só na faixa título, como também pelo resto do LP. 

Run away mescla elementos lúdicos a cenas cotidianas para retratar a ideia de escapismo da realidade. No vídeo musical, o personagem tenta se livrar das próprias paranoias e mágoas através da fuga.   

Abrindo a lineup de colaborações do LP, temos Ok man com participação de Bobby (iKON), amigo de Minho a longa data e seu acompanhante de trajetória. Na fixa, os rappers retomam o legado de sua unit MOBB e expõe seus pensamentos em fazer parte da cena do rap na Coréia do Sul. A química dos dois rapazes brilha nesta produção, provando que Mino e Bobby ainda são uma ótima combinação. 

A próxima faixa, Wa, conta com o solista Zion.t, que também aposta em um verso de rap ao lado de Mino. A faixa beira mais o R&B e ambos autores dividem sua excentricidade nas letras e arranjo. Apesar de contida, a canção possui um refinado instrumental e um fechamento impressionante.

Para a divulgação do álbum, foi liberado um pequeno documentário com depoimentos de todos os produtores e envolvidos com ‘Take’. Os convidados falam sobre a relação próxima de MINO com sua música e a seriedade e dedicação que o rapper tem em produzir.

A seguir na tracklist temos o dueto I want to, onde a solista meenoi enfeita o segundo verso com um vocal suave, contornados pelo rap equilibrado de Song. A faixa é um trap-pop com ênfase nos elementos melódicos.  

Daylight traz a vibe relaxada do verão ao LP. O instrumental eletrônico e o refrão simplório produzem um clima solar e moderno; sua ponte é como sonhar acordado em um dia de praia

Em Hop in temos Mino em colaboração com DPR Live, outro grande nome em ascensão no hip-hop coreano. A combinação, apesar de inesperada, funciona! Ambos estilos se complementam na faixa de trap poderosa, com rimas perfeitamente executadas.  

O instrumental orgânico surpreende em Pow. A guitarra elétrica embala as pausas das batidas EDM e tudo se mistura intensamente com a voz. Um ótimo momento experimental da carreira de Mino. 

O álbum segue para as últimas quatro faixas, mais direcionadas à parte sentimental da música de Mino. Click/ Han river view incorpora trompetes e coros vocais para ambientalizar a reta final de ‘Take’. A faixa muda abruptamente, repousando sobre um lo-fi perto de seu término. 

Caprichada na percussão, a sequência é Book store, com participação do rapper Bewhy. Soa divertida, mas sem abandonar a elegância, além de valorizar os versos de ambos artistas. A criatividade trabalha naturalmente sozinha em Book Store

Song Minho se prova mais uma vez um vocalista emotivo em Sunrise, que cumpre função de ballad neste álbum. Remete até mesmo a trabalhos de Winner, o ato é belíssimo e um presente aos ouvidos com a guitarra acústica e os backing vocals. 

Finalmente, ‘Take’ encontra seu fim em Lost in a crowd, um ensaio agridoce sobre a vida adulta e a solidão. Outra vez os acordes de violão brilham no instrumental; Uma faixa impecável e nostálgica, ideal para finalizar um grande trabalho. 

Em um ano tão nublado, a experiência de Take é aconchegante, refrescante e completa. Mino parte de um ponto pessoal de sua carreira e repousa na própria grandiosidade, entregando um verdadeiro exemplo de seu progresso enquanto artista. O LP mostra a exata essência de Song Minho, talvez em seu mais genuíno processo de se encontrar Não só como artista, mas como pessoa — No auge de seus vinte e oito anos. 

Ouça o álbum na integra na caixa abaixo:

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AUTOR gabbie