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No mundo do k-pop, em meio a uma infinidade de conceitos e temas, existem parâmetros crus, que servem de base para desenvolver novas ideias para cada álbum ou trabalho de um grupo idol. Dentre esses parâmetros, um dos estilos clássicos da indústria é o conceito fofo.

Carregando um estigma infantilizado e inocente, o conceito fofo acaba caindo em desuso pela maioria dos grupos após seus primeiros anos de carreira, sob justificativa de amadurecimento de seus integrantes ou de sua musicalidade, tema que é tratado neste artigo.

O que pouco se procura discutir são as condições dentro das quais o famoso ‘cute concept‘ é substituído ou se dissolve pela discografia de um grupo. Na fanbase atual do k-pop, que adotou uma cultura de massa nos últimos anos, é comum vermos admiradores portadores de uma postura contrária ao conceito fofo, mantendo distância dos grupos que os fazem.

Na medida em que a indústria conquistou popularidade no ocidente, as empresas de entretenimento buscam cada vez mais expandir seu mercado, adotando um conceito mais sóbrio e acinzentado, para conquistar o público internacional, que possui certa aversão ou estranheza às cores vivas e gestos fofos dentro do aegyo concept. Essa estranheza é muitas vezes causada por um pensamento etnocêntrico ou pelo simples desconhecimento de como a indústria cultural funciona no leste da Ásia, onde as grandes produções repletas de cor e até mesmo beirando a bizarrice são severamente consumidas e eternizadas.

Na indústria de música americana ou ocidental de maneira geral, cenários descorados preenchidos com pessoas palpáveis ou genéricas são a grande tendência. Existe um apelo por fazer o cliente se enxergar dentro dos videoclipes, fomentando o grande mercado da música global, através da empatia.

O pop coreano, para seus fãs e, para seus produtores é como um grande escape à realidade, onde a extravagância ganha prestígio e os grandes universos se afastam do lugar comum ou mais prático.

Em todas as gerações, existem grupos que cresceram e decidiram experimentar mais com sua música, grande exemplo disso é o boygroup ‘Seventeen’, que ganhou popularidade nos primeiros anos com um conceito fofo e energético e, atualmente experimenta uma estética mais poderosa e adulta, embora inclua traços dos trabalhos iniciais em suas faixas de tempos em tempos.

Apesar de possuir uma proposta mais experimental atualmente, o Seventeen transita entre o elegante e o divertido, as vezes retornando ao seu conceito ‘aegyo’, conhecido como origem do grupo.

Em contrapartida, o mercado está regado de grupos que iniciaram promissores no conceito alegre e adorável, mas que se perderam na proposta inicial por frustrações em suas vendas. Nas últimas gerações, é impossível não perceber que existe certa defasagem dos conceitos mais inocentes ou chamativos. Grupos como Astro, Twice, Laboum, entre outros, iniciaram em um aegyo concept muito bem executado, mas atualmente apostam em titles e coreografias mais ousadas ou consideradas adultas.

Por vontade da empresa, dos membros ou pela simples necessidade de vender uma imagem mais madura, grupos sofrem esse tipo de transformação. No entanto, o público também dita tendência dentro deste grande mecanismo, afinal, somos nós que limitadamente escolhemos o que consumimos. Logicamente, a música que vende mais tende a ter sua fórmula repetida. O conceito fofo ‘flopa’? O k-pop mudou ao ponto de rejeita-lo ou excluí-lo?

O boygroup ‘Golden Child’ trocou seu conceito depois de um longo hiatus. Anteriormente seus lançamentos eram adoráveis e vivazes e, após sua reformulação os garotos apostaram em uma coreografia mais sensual, recebendo muita atenção e, até mesmo conquistando primeiro lugar em um programa semanal.

O VERIVERY também fez sua mudança drástica de conceito, logo após seu primeiro ano de atividade, saindo da imagem adolescente de Ring Ring Ring e mergulhando no conceito maduro de Lay back.

É importante observar que, em alguns momentos a própria fanbase se volta contra esse tipo de conceito, chegando até mesmo a ridicularizar ou diminuir grupos por produzi-los. A grande questão é que gestos fofos e cores vibrantes estão presentes na música pop coreana desde seus primórdios, tendo sofrido uma grande evolução durante as terceira e quarta gerações.

Uma das faixas cute concept mais memoráveis do k-pop é Balloons, do grupo veterano TVXQ!; a música foi lançada em 2006 e, até hoje recebe covers e homenagens de grupos da nova geração.

Vale lembrar também que, os conceitos puros ou inocentes, muito criticados, na grande maioria das vezes possuem estruturas musicais agradáveis e complexas e, podem chegar até a carregar certa crítica em suas composições; cabe ao espectador ou ouvinte, um pouco de atenção aos detalhes.

Em ‘No oh oh’, o CLC critica a erotização de menores de idade dentro e fora da indústria. No vídeo musical, as integrantes dão uma verdadeira aula sobre consentimento e abominam a sexualização infantil em gestos lúdicos. A letra d faixa ajuda a deixar o tema mais explícito.

Nos últimos meses, a polêmica das redes sociais tem sido ocasionada pela sexualização de ídolos da indústria, principalmente artistas femininas. Comportamentos grosseiros ou difamatórios são sempre majoritariamente direcionados à mulheres, no mundo da música não é nem um pouco diferente.

Nas mídias sociais, diariamente nos deparamos com conteúdo sexual envolvendo idols, desde as tradicionais fanfics, chegando à montagens de fotos e vídeos que circulam pela internet livremente e, as vezes usando o rosto de menores de idade.

Considerando nosso machismo estrutural é inevitável que idols femininas recebam olhares ou comentários sexuais em todos os momentos, sob o olhar fetichista daqueles que as assistem. Até mesmo no mais puro conceito fofo, jovens cantoras tem seus corpos e movimentos erotizados. Qualquer coreografia simplória dançada por uma menina usando shorts automaticamente se torna um chamariz de pessoas com segundas intenções e, esse é o tipo de comportamento que deve ser repudiado e desconstruído. Para saber mais sobre sexualização de idols na indústria do k-pop, ouça nosso podcast aqui.

O grupo ‘April’, conhecido por sua imagem fofa e inocente, sofre constantemente sexualização exacerbada pelos internautas. Em 2019, uma das membros, Lee Jinsol, veio a público através de seu instagram, manifestando insatisfação e constrangimento diante de gifs e fotos na internet que expõem seu corpo e erotizam suas roupas.

Independente do demérito com o qual os conceitos fofos são tratados, é indispensável que a fanbase valorize esses lançamentos que essencialmente integram a diversidade do k-pop desde sua criação. Embora pareça infantilizado e insosso a primeira vista, não quer dizer que não haja um extremo esforço na suavidade estética e energia da música, além da diligência louvável dos cantores em atuarem dentro da premissa de seu álbum; ser expressivo e adaptável também deve ser considerado um talento.

Por fim, precisamos, enquanto comunidade, dar espaço para diferentes manifestações e interpretações, lembrando sempre que os artistas e produtoras possuem uma intenção por trás de cada faixa, de cada vídeo musical. Conceitos sombrios e adultos são admiráveis e complexos mas, as vezes dar chance a um pouco de alegria e cor parece tão sensato quanto consumir músicas básicas ou equivalentes, com a falsa ilusão de maturidade.

Só é preciso força de vontade para desmistificar a grande explosão de tons pastéis e ‘aegyo‘, em suas diferentes variações, assim, construindo uma indústria mais saudável, segura e diversa para todos.



Depois de chegar ao que muitos considerariam o auge de sua carreira em 2018 e, passar por diversas complicações em 2019, iKON finalmente retornou com terceiro EP, intitulado ‘i DECIDE‘. Considerando os incidentes no último ano, o sexteto fez seu primeiro lançamento com nova formação no último dia 06 de fevereiro, ainda sob agenciamento da  YG Entertainment. 

O trabalho gerou curiosidade do público, por ser o primeiro álbum de iKON sem seu líder, Kim Hanbin (B.I), removido do grupo pela empresa (YG Entertainment), por suposto envolvimento com drogas. A agência, que nunca foi conhecida pelo politicamente correto, ainda sofre críticas de internautas pela decisão. Embora ainda hajam controvérsias, ficou resolvido que não haveria remoção das canções compostas e produzidas por B.I neste álbum, suas partes apenas seriam regravadas, o que revoltou ainda mais seu fandom, ikonic.

Hanbin, que sempre tomou parte na produção geral dos trabalhos anteriores do iKON, foi creditado pelas faixas que participou, mas não recebeu créditos como produtor principal do i DECIDE, conforme conteúdo dos CD’s físicos. 

Ainda nesta linha, é impossível não reparar na tentativa de YG em sabotar os próprios artistas, atrasando amostras e teasers do álbum e, diversas vezes deletando postagens referentes a ele nas redes sociais. As fãs do grupo ainda perceberam um possível corte no orçamento da confecção e divulgação do comeback. Apesar de todas as complicações, é inegável que o EP foi muito bem executado em suas cinco faixas, deixando clara a tentativa do iKON em se reinventar em questões de conceito e, provando que os garotos têm grande apoio do público internacional, já que sua faixa título ‘Dive‘, alcançou mais de 25 primeiros lugares no itunes mundialmente. 

A estética, já definida através do filme teaser, entrega uma ideia de reinvenção, assim como a revisitação do visual já estabelecido pelo grupo. As cores oficiais do grupo, vermelho e alaranjado, se tornam bastante presentes em toda sua carreira, como uma marca registrada. Em seu trailer de conceito, o iKON aparece em cenários de seus antigos MV’s, enquanto Bobby narra um monólogo sobre se reencontrar no lugar em que eles começaram, já deixando clara a dolorosa caminhada dos meninos para se reafirmarem na indústria, agora com seis membros, mas acima disto, para se mostrarem como um novo iKON em sua própria impressão. E é nessa linha que o álbum se dá a partir daí: iKON referenciando sua antiga carreira, dando continuidade á sua história pelo seu novo e próprio caminho e, pela sua decisão. E então, essa mesma decisão nomeia seu mais novo trabalho, aqui está ‘i DECIDE’. 

Em seu terceiro e, ousado mini álbum, o sexteto passa por diversos estilos e é repleto de experimentações, ressaltando as habilidades dos membros em sua tracklist.

A faixa que abre o EP, não poderia ter sido melhor escolhida e, recebe o nome de ‘Ah Yeah‘. Composta por B.I e Bobby, a música começa com o pé na porta, uma forte percussão e, durante sua estrutura possui elementos de rock e raggae, numa grande mistura com quebras de trap. A produção ficou por conta de Millenium, um elemento da conhecido dos fãs da YG e, de iKON. O sucesso dos pré-refrões ajudam a entregar o clímax chiclete na faixa.

Prosseguindo, chegamos á faixa título, chamada ‘Dive‘, o carro chefe do terceiro mini álbum do grupo. Dive possui elementos de country, pop, EDM e até alguns relances de orquestra. A letra emocional e meticulosamente escrita, chamou atenção dos fãs assim que foi lançada em versos como “Se você é o fogo, vou mergulhar nele/Direi que é agradável e me incendiarei/Se você é um caminho de espinhos, vou mergulhar nele/Direi que é macio e me jogarei”.

O vídeo musical transmite frieza e solidão, apesar do set de filmagem estar em chamas durante boa parte do tempo. As cenas individuais mostram os membros em situações de desconforto e até mesmo prisão, materializando a proposta do MV e do álbum, que possui intento de libertar os seis garotos através da expressão artística, como sua música, dança e estética.

A coreografia e performances muito bem construídas, ajudam a dar o clima pós-apocalíptico, em analogia com o final de relacionamento, como diz a letra da música. Os vocalistas foram muito bem aproveitados e, a nova formação brilha dentro de suas limitações.

iKON faz seu primeiro retorno com seis membros, em meio chamas, remetendo a pedaços anteriores de suas carreiras.

Dessa vez, ‘All the world‘ fica responsável por fazer a transição entre a parte vendível e, a parte mais contida do álbum. Para esta faixa, o sexteto contou com a participação de JinKang e Dusty como produtores. O flow do rapper principal, Bobby soa agradável e preciso, além das letras excelentes. Dentre as cinco novas músicas, All the world seria a que mais remete á seu primeiro álbum, Welcome Back. A vibe demonstra o apreço do grupo pelo verão e a diversão, espalhados uniformemente pela construção e, principalmente na ponte e últimos refrões, onde os meninos cantam juntos como em uma grande festa.

Em direção ao final, temos a orgânica ‘Holding on’. A faixa começa em downtempo, apenas com voz e piano, mas se anima no refrão, com mais instrumentos de orquestra e sintetizadores. Holding on traz um clima alegre e, carrega o um sentimento de alívio e liberdade. A letra, composta por Hanbin (B.I), fala sobre uma difícil despedida e, sobre alguém que não voltará, mas também sobre como o tempo seria sua cura após a partida.

“Finalmente entendi o que eles queriam dizer quando falam

‘o tempo cura todas as feridas’

Estou suportando

Me agarrando a esta solidão

Eu espero que essa nostalgia volte

Dói pensar sobre isso, mas eu vou seguir em frente

Eu apenas sinto sua falta de tempos em tempos,

mas estou aguentando …”

iKON – Holding On

A finalização fica em cargo de ‘Flower‘. Kim Donghyuk (vocais e dança), fez seu debut como produtor principal e tomou frente da faixa, que é a ballad do álbum. Em recente entrevista, DK revelou que escreveu a música com os fãs em mente, no entanto, surgiram especulações de que ‘Flower’ teria sido escrita para seu ex-líder. A ballad mescla um instrumental lento com a sobreposição de vozes em seu refrão, sendo uma experiência deleitosa aos ouvintes. Em questões de performance, Flower recebeu uma apresentação bonita e delicada, com vários dançarinos de palco.


‘Flower’, de iKON, possui uma performance delicada e, encena as dificuldades das despedidas.

O iKON, que tem tido problemas com aceitação do público geral desde sua estréia, recebendo apoio de seu fandom. Agora inicia sua nova fase, com um trabalho completo e plural. Apesar das dificuldades e, obstáculos, o grupo mostrou sua força e talento em mais uma execução impecável, musicalmente e, visualmente. Esperamos que no futuro, o grupo atue de forma autônoma e, tomem suas próprias decisões, aperfeiçoando sua música, seguindo o apelo inicial desse novo EP.



A cultura dos fandoms é muito vasta, e com isso, é normal que o nome ou imagem do ídolo sejam usados para chamar atenção do público. Dessa forma, os fãs produzem seu próprio material para se sentirem parte do fandom, para demonstrar apoio ou até mesmo como um hobby. São exemplos as Fanarts, fanfics, fanclubes, fanpages, e por ai vai. Em outras palavras, é um material feito de fã pra artista/fã.

https://twitter.com/captainmacro/status/1091503688965709824

Até ai o conceito funciona. Tudo muito bonito, feliz, todo mundo de mãos dadas cantando Into The New World do SNSD juntos. O problema começa quando, dentro do próprio fandom, existe uma esteriotipação exagerada dos artistas, onde suas características mais salientes aos olhos se destacam e acabam virando seu único adjetivo disponível. Por exemplo, reduzir Jeonghan (SEVENTEEN) somente à alguém trapaceiro, de aparência feminina e frágil.

Forçar a barra que todo homem visto como “flower boy” é inocente, puro, passivo e gentil é se limitar a generalização de características e é também continuar as impondo. É também absurdo que precisemos falar sobre como ninguém deveria ficar dando pitaco em público sobre orientação sexual de ninguém, principalmente se vamos nos basear na forma como alguém age ou se parece.

Dessa forma, assumimos que não estamos nessa para consumir o trabalho e a personalidade do artista, mas sim sua vida pessoal. É quase como uma tentativa de controlar os passos de determinado ídolo e se assemelha aos fãs que anseiam casar com seus objetos de desejo.

Reforçando que, sim, é normal e comum ter curiosidades e admirar um ídolo, principalmente na fase da adolescência quando naturalmente nos desvencilhamos da idolatria aos pais. No entanto, devemos nos atentar até que ponto estamos projetando nossas próprias ambições e desejos nos grupos de Kpop.

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Em 2015, Amber Liu, ex membro do f(x) e atualmente solista, falou sobre como sempre que era vista com amigas mulheres surgiam boatos de namoro (que vinham principalmente de seus fãs), mas isso não acontecia com idols homens simplesmente por sua aparência “tomboy”. Mesmo que a artista tenha falado em tom de graça e também ache a situação até fofa, dá pra perceber que eles mesmos percebem a diferença de tratamento:

O engraçado é que, eu namoro (para fãs e mídia) mais meninas que meninos, o que é engraçado, por que, você sabe, eu sou próxima de você (Aron do Nu’est), Peniel do BTOB, Rome do C-Clown. Mas quando eu estou com caras, não é como se eu namorasse o Aron ou o Peniel, é como se eu estivesse namorando Krystal do f(x) ou a Minah do Girls Day, e eu acho isso engraçadinho/fofo.

Mas nem tudo é engraçado para Amber:

Eu não gosto por que deixa minhas amigas em uma situação estranha, mas eu também até gosto por que é tipo, oh… As pessoas falam que eu pareço um namorado, que eu posso cuidar das pessoas. Gosto por que mostra que eu cuido dos meus amigos (…)

Essa situação prejudicial não somente faz prevalecer uma cultura redutiva e que reforça machismo, homofobia e outros preconceitos inúmeros; acaba sendo um retrocesso. Se dois ídolos homens se abraçam, dão as mãos e têm intimidade o suficiente para dormirem e tomarem banho juntos: é o fim do mundo! Mas não por repulsa do fandom, e sim pelo desserviço de não normatizar esse tipo de relação sem visualizar como um relacionamento romântico.
E atenção: Ninguém aqui mandou você deixar de fazer nada! O artigo tenta lhe trazer uma perspectiva de compreensão diferente: de que você NÃO é melhor amigo do seu artista favorito e que por mais que tenha suas suspeitas ou opiniões, isso não as torna fatos. Um idol. por mais honesto e sincero que pareça ser, irá mostrar a realidade de seus pensamentos e desejos até certo ponto, com limites que ele próprio estabelece.
É de se considerar também que, por vezes, artistas e empresas vendem suas imagens. Por fanservice, seja individual ou em grupo, um ídolo pode manter por anos uma aparente personalidade fria e mimada para o público geral, para causar interesse e falatório. No entanto, como é o caso com muitas idols it-girl da Coreia, suas personalidades são muito mais do que a persona que vestem em suas performances.
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Chegando ao final de 2019 é impossível não dizer que esse ano desandou. Foi um ano difícil, sem dúvidas e, cada vez mais se torna necessário o debate sobre saúde mental e pressão midiática. A comunidade fã de música pop asiática segue regada de mesquinharia e intrigas desnecessárias, mesmo tendo encarado uma grande crise considerando os tristes acontecimentos do último semestre.

Enquanto a fanbase se atenta pouco, ou seletivamente para questões importantes como suicídio, depressão e violência, artistas emergentes fazem questão de levantar a bandeira da discussão, ainda que precária diante este tipo de tema. Antes de qualquer outra coisa, é preciso levar em conta que, a maioria esmagadora dos fãs de k-pop estão passando justamente por uma das fases mais difíceis de sua vida nesse exato momento: a adolescência. E, em uma fanbase majoritariamente formada por adolescentes, é inevitável falar sobre mudanças, saúde e violências. Não por coincidência, os artistas selecionados como grande catalisadores da reflexão sobre os temas comtemplados pelo título deste texto, são todos de formação bem recente.

Em “Hello, Strange Place“, sequência de seu álbum de debut, o boygroup novato CIX narra a história de seus cinco personagens, alunos do ensino médio tentando lidar com problemas como bullying, depressão, suicídio, perda de entes queridos e o descaso dos pais – vale ressaltar a atenção e o cuidado que a empresa (C9 entertaniment) tomou para lidar com tais temas, priorizando a segurança dos membros e, emitindo avisos de gatilho no início de cada um dos vídeos.

A empresa de entretenimento, C9, deixa este aviso de gatilho no início de cada um dos vídeos.

O personagem principal da trama é Kim Yonghee (membro do quinteto), que sofre violência física e psicológica por agressores em sua escola, além de lidar com uma grande pressão e uma eterna busca pela grade perfeita de notas. Conhecemos Yonghee e, em sequência conhecemos os outros membros do CIX, todos inseridos naquele universo chamado Strange Place, mas o que acontece quando o tal “lugar estranho” é a escola? Qual a importância deste album em um país com um dos sistemas educacionais mais competitivos do mundo? E, como a história de Yonghee, ainda que fictícia, retrata em áudio e vídeo as estatísticas que colocam a Coreia do Sul dentre os países com maior número de suicídio anuais?

Na narrativa dos vídeo teaser, o personagem de Yonghee tenta suicídio após enviar mensagens de texto para sua mãe, ocasionando outras reviravoltas na estória.

Para além dessas questões, os filmes teaser do CIX ainda nos trazem a realidade de outras milhares de pessoas, através dos personagens de Seunghun, que perde sua mãe em um acidente de carro e, Hyunsuk, que ficou cerca de dois anos sem ser respondido por seu pai em um aplicativo de mensagens – quando ele finalmente consegue marcar seu encontro, o pai não aparece e o garoto vai embora sozinho.
Todos vídeos extremamente tocantes e dolorosos, mesmo que com tão poucas palavras.

Em “Numb”, o CIX denuncia a crueldade do sistema educacional e a pressão pela qual os jovens passam.

A parte musical do álbum faz uma ponte interessante com a temática dos vídeos, em suas letras e até mesmo performances. Em black out, a abertura do EP, vemos o retrato da desesperança e desmotivação de uma pessoa claramente passando por um momento difícil, em segmento temos ‘Numb’, carro chefe do lançamento, que serve de denúncia para o sistema educacional extremamente punitivo, que o tempo todo busca uma perfeição utópica e massacra quaisquer indivíduos que não a alcançam.

Um rosto jovial
Não tem expressão alguma
Ao invés de sonharem
Eles aprendem a desistir […]
Esse lugar
Já se tornou o inferno
A criança que não foi pisoteada ainda
Provavelmente será pisoteada em breve

CIX, Numb

O álbum temático continua com rewind, que exibe o arrependimento do agressor perante uma situação de bullying ou violência (como no arco dos mini filmes), enquanto bystander nos dá perspectiva sobre outro personagem da história – o espectador – aquele que assiste de camarote o desastre acontecendo mas se posiciona passivamente, podendo ser interpretado até mesmo como a própria sociedade que se recusa a assistir problemas da juventude. Como fechamento temos Maybe I, que fala sobre uma ansiedade sobre o futuro e a necessidade de um bom ouvinte em momentos de crise.

O trabalho mais recente do CIX apenas reforça a importância da participação e da escuta à juventude e suas questões: os jovens merecem ser ouvidos, jamais negligenciados.

“Tudo vai estar bem?
Essa é a resposta certa?
Eu estou te perguntando hoje […]
Eu não quero escrever sobre isso, eu só quero viver
Eu só preciso de alguém que se importa, e de alguém que escute
Só me escute, ou talvez faça mais que isso
Só me deixe entrar, me deixe explorar

CIX, Maybe I

Os meninos do TXT partem de uma abordagem próxima em run away (lançada em novembro de 2019), utilizando uma proposta semelhante da de seu grupo irmão de empresa BTS (2013), em N.O, criticando o sistema educacional e liderando uma revolta estudantil que se opõe a essa lógica e incentiva fugas, mas ao mesmo tempo convive com as aflições da falta de apreço pela vida e, o anseio por uma liberdade de escolha conduta que a eles foi negadas.

‘Runaway’ faz um apelo de insatisfação da juventude perante a sociedade e, revela a intenção de fuga da normalidade.

Ambos CIX e TXT iniciam suas narrativas dentro do ambiente escolar, enfatizando os maus tratos que os estudantes sofrem durante este período, uma série de abusos que se acentua no ensino médio.
Run away, sendo não apenas um dos singles mais bem construídos dos últimos tempos, também traz uma temática interessante de voz ativa à juventude: uma juventude que não se sente atendida pelas circunstâncias e pelas pessoas a sua volta e, preferem fugir, sair de sua zona de conforto e buscar sua redenção procurando primeiramente a si mesmos. O misticismo das referências a Harry Potter e a jaqueta do album físico voltada ao tema “magia” também revelam uma clara intenção dos meninos neste escapismo, no caso fuga da realidade ou normalidade.

Parece que todo mundo está feliz, menos eu
Dói mais quando eu sorrio do que quando eu choro
Embora eu tente segurar todo dia, embora eu tente aguentar
Mas não está funcionando tão bem, eu preciso da sua mão agora […]

Por favor, seja minha eternidade, chame meu nome
Fuja, fuja, fuja comigo

TXT, Run away

Em New rules, o TXT canta sobre sua sutil fuga às regras da escola e, dizem na letra sobre querer ser um rebelde, que dentro da música pode insinuar a forma como a sociedade enxerga pessoas deslocadas do padrão de “bons modos” socialmente aceitos.
Dentre as demais faixas, Magic island é a que mais me chama atenção, a música fala sobre se refugiar nos próprios pensamentos e, procurar apoio em pessoas próximas. O LP lançado pelo quinteto novato da bighit também trás faixas como Can’t we just leave the monster alive?, em uma brilhante metáfora medieval com dragões e cavernas, faz um ensaio fantástico sobre aceitar os problemas da vida (os monstros) e, conviver com eles da melhor forma possível, adicionando certo conformismo e talvez amadurecimento, ainda que em fase de negação.

Jogue fora todas as armas
Mesmo se eu desistir das estatísticas
Não podemos simplesmente manter o monstro vivo?
Você pode ser o herói
E eu serei o monstro agora […]

Eu tenho que quebrar esse estágio, me tornar adulto […]
Vai ficar tudo bem

TXT, Can’t we just leave the monster alive?

Com a melhor das intenções, os grupos rookie em 2019 se fizeram presentes nessa grande luta pela conscientização e assistência a casos de desamparo emocional, não apenas dentro da fanbase, mas também para fora da curva de consumo a qual o k-pop interessa. A indústria da música pop sul coreana possui caráter excludente, além ser repleta de preconceitos e conservação de valores retrógrados mas, considerando os acontecimentos dos últimos anos é importante romper com a lógica de culpabilizar apenas um dos responsáveis: a indústria tem culpa mas jamais se deve desconsiderar os fatores para fora dela.

Seres humanos de qualquer raça, gênero, sexualidade ou profissão merecem ser ouvidos e cuidados, merecem se sentir representados e acolhidos em sua respectiva sociedade. O grande desafio da juventude é se fazer presente e escutada em espaços decisivos e, como já comprovamos, essa galera possui disposição e criatividade para agir em coletivo, para incomodar gente grande e revolucionar nossas estruturas.

Coletivamente, é importante refletir sobre nossas ações na vida das pessoas, sobre como queremos ser vistos e até mesmo lembrados.
Vivemos tempos difíceis e, existe espaço para muitos Yonghee’s dentro deste vasto planeta conturbado.

Espero que, alguém lendo este texto se sinta ao menos notado, ou observado pelas minhas palavras. Você importa! Você está fazendo um ótimo trabalho. Se estiver passando por dificuldades, por favor, aguente firme, procure ajuda profissional, tente tomar um ar de em quando. Vai ficar tudo bem.



Acredito que acompanhamos uma nova era do k-pop marcada pela extrema presença da internet. Desde de sua invenção, essa ferramenta tem facilitado a vida de seus usuários, seja nas tarefas do dia-a-dia, como fazer compras, ler notícias, agendar horários no médico etc, e também, principalmente, nos processos de relação interpessoal e proliferação da informação. A internet encurtou distâncias e tornou tudo mais rápido e acessível, e esse fenômeno se aplica perfeitamente na vida e nas vivências dos fãs da música pop coreana.

Digamos que durante o fim dos anos 2000 até começo dos anos 2010, transição da segunda para a terceira geração, a internet não possuía o mesmo impacto que tem agora no cenário do k-pop, até mesmo na hallyu como um todo. Assistir programas e videoclipes, ouvir músicas, ler entrevistas e consumir qualquer conteúdo produzido do outro lado do mundo era extremamente complicado. Mas os anos passaram, a internet e as tecnologias evoluíram facilitando o acesso dos fãs, tanto de forma legal quanto ilegal, a esses produtos.

Apesar da palavra “produtos” no parágrafo anterior, a evolução potencializou o acesso do fãs aos ídolos, principalmente dos fãs internacionais. Um grande exemplo disso são as redes sociais, blogs pessoais, perfis no Twitter e Instagram, e canais no YouTube que são os principais agentes dessa aproximação, nos permitindo um contato direto com o lado mais humanizado de um artista dentro da microesfera da cultura pop coreana.

Tudo isso soa bem fofo e positivo, até porque é! No entanto, essa situação é como uma moeda: tem dois lado, sendo um deles o positivo e o outro negativo. A internet também é sinônimo de exposição, qualquer informação, seja ela verdadeira ou mentirosa, por mínima que seja, se espalha rapidamente e na comunidade coreana isso pode afetar a carreira de um idol de duas formas: destruindo o que levou anos de trabalho e treinamento árduo ou alavancando a carreira para patamares que muitos deles nunca poderiam imaginar.

No k-pop é muito comum ver esses dois tipo de situação e, infelizmente, uma delas aconteceu recentemente. Acusações e rumores sem fundamento botaram em xeque a carreira do Wonho, ex-membros do Monsta X, e afetaram a imagem do Shownu, líder do grupo, e tudo graças a internet.

Comunidades, fóruns online e seções de comentários dos portais de notícia são palcos para as mais estranhas performances de ódio, desrespeito, cyberbullying e perseguição. E você está enganado se acha que estou me referindo apenas à Coreia. Os netizens de todo o mundo destilam o pior que podem oferecer para os artistas coreanos enquanto se escondem atrás de perfis falsos e identidades criadas especialmente para a desordem e celebração do caos. Isso não deveria existir. Os ídolos vivem repetindo que leem cada post, cada mensagem, cada publicação feita online sobre eles. As posturas negativas afetam não só sua reputação, afetam também o seu psicológico. O que não falta são exemplos do impacto negativo que os usuários da internet podem ter sobre esses artistas.

Por outro lado, se há o mal, então também existe o bem.

Ao aproximar o artista e o admirador, os laços que foram criados entre os dois se fortalece com o tempo. É meloso dizer isso, mas felizmente é verdade. Live Streams diárias no VApp ou no Instagram, nos permitem ver um lado de quem gostamos que muitas vezes não conseguimos enxergar nos Variety Shows ensaiados em que eles participam. Muitas das mensagem mais sinceras que são escritas e chegam até eles em seus perfis pessoais (quando o artista tem um) ou através do FanCafe. Aprender outra língua para estabelecer uma conversa mais real e sincera também se tornou mais fácil graças ao advento da internet. Sem contar as hashtags, votações, projetos e diversas outras atividades que são planejadas em conjuntos por fanbases ao redor do mundo que se comunicam graças a internet.

Apesar dos acontecimentos ruins, existem diversas situações boas (posso dizer que até dobro) que podem ser citadas e que atestam que a internet também é uma arma poderosa nas mãos de quem busca fazer o bem para os artistas que ama. Fãs que constroem escolas, bibliotecas, até mesmo vilas(!) com projetos de doações ao redor do globo em nomes de seus ídolos são apenas pequenos exemplos do que as articulações feitas na web podem causar.

Reflexão sobre o que podemos fazer com o que temos em nossas mãos é um exercício diário extremamente importante a ser feito. Assim como fazemos com Fake News, na internet não engaje com o que é duvidoso e malicioso a ponto de afetar ou destruir uma carreira. Uma mera piada, comentário minúsculo ou edição desagradável pode tomar proporções imensas a ponto de não poder ser mais controlado. Essa é a força da internet. Por tanto, enquanto fã, se mantenha em espaços agradáveis online, participe de grupos e projetos que futuramente tragam algo positivo para você e para quem você gosta. Tem dúvida ou discorda de algo, cheque a fonte, a origem daquilo,se mantenha fiel à verdade. A internet afeta a vida de seu ídolo, então se esforce, faça tudo que for possível e que esteja ao seu alcance para que o efeito seja o melhor possível.

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(Se você não sabe o que é clout, segura as rédeas que eu explico assim que for falar sobre. Vamos pra a introdução primeiro.)

Hoje eu queria falar sobre um assunto que eu acho que acabou se tornando comum em fandoms (não só do kpop), e que ta mais do que na hora de ser falado.

Diante de tantos acontecimentos tristes e chocantes no kpop nesses últimos anos, eu acho que é certo dizer que o comportamento dos kpoppers tem mudado muito em alguns quesitos, ainda que não tanto em outros. Tentamos reforçar a importância da saúde mental e do bem-estar, não só dos idols, mas dos fãs também, e isso com mais intensidade.

Agora, neste final de década, nós como um conjunto, com o auxílio da internet, temos mais acesso a conhecimento, e temos uma noção pelo menos básica da importância de tratar bem os outros e tomar cuidado com o que dizemos, porque nossas palavras têm com muita certeza um impacto grande. A era da internet torna muito fácil espalhar informações, e é seguro dizer que quase sempre as informações que difamam são espalhadas mais rápido e afetam com muito mais intensidade. Temos fãs que já nasceram na era da internet, aqueles que nunca presenciaram uma vida sem ela, o que tem seus lados bons e ruins quando paramos pra pensar. Mas, isso já é fugir um pouco do assunto.

Eu quero falar aqui hoje sobre algo que poderia também ser consideram fandom war (brigas entre fandoms), mas que levando em conta como esses conflitos acontecem, alcançam um patamar muito perigoso, em que assuntos sensíveis na sociedade são usados para causar conflitos entre fandoms ou dentro de um fandom, e receber clout.

Clout (n.) – atenção nas redes sociais.
Ex.: “Fulano nem gosta desse grupo, mas ele postou fancam daquela idol dançando só pra ganhar clout.”

Vocês podem estar se perguntando especificamente sobre quais assuntos sensíveis eu estou falando. Bem… todos eles.

A questão é que qualquer assunto sensível que definitivamente não deveria ser usado para coisas (vocês vão ter que me desculpar) fúteis, quando postas em perspectiva.

Vou desenhar um exemplo pra vocês para deixar mais claro, porque não quero dar um exemplo real e acabar trazendo à tona uma treta dessas que já tenha sido amenizada e causar mais caos.

Suponham que um grupo bem famoso vai fazer comeback. Como sempre, esse grupo tem antis (o termo atual que se usa pra haters). Suponham também que o grupo que esses antis são fãs vai ter um comeback próximo ao desse grupo mais famoso. Indo pela lógica, essa que nem sempre é regra, o grupo mais famoso teria mais wins em music shows, como o Idol Champion, Inkigayo, etc. Então os fãs desse grupo que são antis desse outro e não querem de jeito nenhum que eles ganhem (que eu preciso adicionar, são sempre uma minoria das pessoas do fandom), tentam causar uma polêmica pra sujar a imagem desse grupo e impedir eles de ter um bom desempenho no comeback.

Ainda em suposição, digamos que pra causar polêmica, esse pequeno grupo de pessoas pega alguma coisa fora de contexto como um vídeo, uma foto, algo que esse(a) idol disse, e acusa esse(a) idol de estar atacando ou dizendo algo ofensivo contra um grupo marginalizado. Esse grupo marginalizado poderia ser pessoas de cor, mulheres, a comunidade LGBTQ+, pessoas com deficiências, etc. Ou até subgrupos mais marginalizados ainda dentro desses grupos, como por exemplo vítimas de assédio sexual.

Aí eu já estou chegando no ponto que eu queria chegar. É obvio o porquê de essas sabotagens serem algo ruim. Mas muitas vezes nós pensamos da forma que a sociedade nos ensinou a pensar. Muitas vezes nós descobrimos que foi sabotagem, ficamos do lado do(a) nosso(a) idol, e ficamos na defensiva contra quem vem alegar contra ele(a), porque afinal, não queremos vê-lo(a) passar por isso sem que tenha feito algo pra merecer.

Mas aí vem o problema que foi o que me inspirou a escrever esse artigo. Muitas vezes o fandom fica do lado do grupo/idol, e ignora esse grupos marginalizados que foram afetados. Principalmente nessa situação hipotética em que foi descoberto que foi tudo armado pra sabotar o comeback desse grupo, porque aí qualquer pessoa que esteja nesse grupo de minoria e tenha se sentido afetado por essa falsa acusação, é atacada. Muitas vezes essas pessoas que já estão se sentindo atacadas por aquele(a) idol ou grupo de quem ele(a) é fã, são chamados(as) de fãs falsos, de ignorantes, de problemáticos, etc.

Falhamos a perceber que o problema principal é o uso desses assuntos tão delicados que afetam vida de muitas pessoas e marcam elas pra sempre, mas principalmente a resposta dos fandoms quando alguém se sente atacado. Muitas vezes essas pessoas que se sentiram atingidas ficam vulneráveis, porque imagina só você viver a sua vida toda sofrendo um preconceito, e aí alguém acusa aquela pessoa que você tem como exemplo de fazer uma coisa dessas. Você se sentiria derrotado, não? E você quer explicações, porque quer a gente queira ou não, acabamos confiando nessas pessoas de quem somos fãs. E em seguida, quando é explicado que tudo foi sabotagem, as pessoas se viram pra você e te acusam de ser uma pessoa horrível por ter duvidado do seu ídolo por sequer algumas horas.

Muitas vezes os fandoms em conjunto falham a perceber que as pessoas que se sentem atingidas por essas falsas alegações, têm sofrido com esse tópico que foi muito mal usado, uma boa porção da vida delas, ou até mesmo sua vida inteira.

Retomando aquele momento em que eu não sei quantos de vocês quiseram me crucificar por chamar nossos assuntos de kpop “fúteis”, eu queria que entendessem que isso tudo é em perspectiva. Para muitos, quando isso acontece, é uma ameaça ao grupo ou idol que staneamos e à imagem dele, que, sim, pode tornar tudo muito grave se não for esclarecido logo, mas para essas pessoas que convivem com esse assunto polêmico, se torna pessoal. Porque é um ataque às dificuldades que elas passam todos os dias.

E além disso, o uso de um assunto tão polêmico de uma forma tão descuidada e desnecessária faz com que o assunto não seja levado a sério em uma ocasião em que as alegações são reais. Se você vê um idol sendo chamado de homofóbico todo dia pelas pessoas que não gostam dele, mesmo sem nenhuma prova sequer de que ele seja homofóbico, no dia em que acontecer algo que comprove que ele seja, e as alegações são verdadeiras, vai ser difícil de acreditar, porque as pessoas estiveram brincando com esse assunto sério já tem um tempo. E aí, ninguém mais leva a sério quando acontece de verdade.

O propósito desse artigo é chamar a atenção pra isso o que acontece. Todos nós amamos os idols que staneamos, mas temos que respeitar uns aos outros, principalmente as pessoas, sejam dos fandoms ou não, que são vítimas e que podem estar sendo injustiçadas. Vamos levar isso no coração e lembrar que da próxima vez que algo assim acontecer, tem gente bem inocente que está sendo afetada por uma “brincadeira” de mal gosto.

Um beijo e um queijo <3



Indo em direção ao fim de mais um Setembro Amarelo, é impossível não refletir sobre os gigantescos traços de hipocrisia digital pelos quais passamos diariamente, na fanbase do k-pop não poderia ser diferente. Pessoas de diferentes idades, vivências e culturas semeiam o interesse pela música pop coreana e, a partir daí se entregam a um novo modo de se relacionar socialmente online (fan accounts, fandons, chats em grupo, etc). A partir daí, já é possível dizer que turbulências acontecem, pessoas erram o tempo todo e somos todos cabíveis de erros, grandes ou mínimos. Surgiu nos últimos anos algo que chamamos de “Cultura de Cancelamento”, que consiste, basicamente em julgar e crucificar pessoas públicas ou simplesmente fãs, com base em seus “erros”, sem espaço para que esta se explique ou defenda, gerando uma onda de comentários de ódio e dando espaço para algo que a sociedade à passos de tartaruga tenta desconstruir: o bullying e, neste caso cyberbullying e os massacres de ofensas online.

Em um mês de incentivo à campanhas anti-depressão e anti-suicidas, com o intuito de oferecer apoio às pessoas, é indispensável questionar porque sempre nos deparamos com grandes segmentos de postagem “expondo fulano” e, em seguida o mesmo recebe ofensas gratuitas e se afasta das mídias sociais, sem passar por nenhum processo de educação. Onde cabe a empatia que propõe setembro em atitudes como está? Até que ponto a vida de outra pessoa te afeta? 

Quando pensamos em situações que geralmente são condenáveis aos cancelamentos, imediatamente nos vêm a mente casos de comentários ofensivos de cunho racista ou misógino, ou até mesmo algo que tenha soado egoísta ou presunçoso por parte de algum idol, apresentador ou ator.

É necessário fazer análises muito profundas para classificar até que ponto determinado ato merece retaliações ao invés de simplesmente uma boa aula de sociologia. Eu particularmente me choco com a quantidade de vezes em que ídolos foram cancelados por seus dizeres ao invés de seus fandons assumirem uma postura de oposição e procurassem meios de educar seu artista e, cobrar um pedido de desculpas. Afinal, o que o seu oppa fez? Ele comprou um baseado? Ou ele vendeu mulheres à práticas sexuais como se fossem um cardápio de junk food? (Ambos são crimes, o primeiro apenas não deveria ser) 
Obviamente, na maioria das vezes estas situações esbarram em outro fator: a repressão por parte das agências. É impossível dizer se algum artista foi ou não pressionado por sua empresa a pedir perdão aos fãs e ao público, assim como é impossível dizer se este mesmo não foi obrigado a se calar e nunca mais citar o ocorrido. Para todo e qualquer caso, o mais coerente seria observar a postura do artista pós incidente, se é possível perceber a mudança, se aconteceu ou não novamente e até mesmo se o mesmo procura se redimir sobre suas antigas ações. 

O líder do grupo “Stray Kids”, Bang Chan, sofreu diversos ataques no último mês de maio, após acusações de racismo e apropriação cultural. Chan já havia anteriormente apresentado postura de apoio á casos de depressão e ansiedade dentro de seu fandom “Stay”.

Outro ponto discutível da cultura de cancelamentos é a seletividade e desigualdades que são facilmente aplicáveis entre fanbases. Não é preciso ir tão longe para encontrar reações desiguais para o mesmo tipo de comportamento, tampouco é preciso voltar muito no tempo para entender o quão esquecidos foram alguns escândalos imensos e graves. Claro que as retaliações chegam brandamente para artistas de fama estabilizada e grandes fandons, principalmente se esse artista for masculino.

A desigualdade de gênero neste caso é escancarada. Mulheres na indústria são cinco vezes mais cobradas sobre seus comportamentos e falas. Grupos masculinos nunca foram hateados como os femininos portando o exato mesmo discurso e isto é gritante. É este tipo de separação que torna a sobrevivência de artistas femininas neste ramo facilmente desmontável e constantemente ameaçada.

O boygroup iKON, já sofria com a ‘Cultura de Cancelamento’ desde antes de sua estréia, em 2015. Entre altos e baixos, o grupo provavelmente passa por seu pior momento em 2019.



Esse artigo serve pra abrir um diálogo muito importante, mas que acaba passando despercebido por debaixo dos panos. Resolvi escrever esse texto devido a uma sugestão de uma colega fã do X1, ciente dos comentários absurdos que certos membros X ou Y recebem, mesmo com a pouca idade. Me recordo muito bem de quando o NCT Dream debutou, finalmente, após anos de espera daqueles que acompanhavam os SM Rookies.

A questão é que, desde o dia #1 após o lançamento da canção de estréia, ‘Chewing Gum’, vários comentários inadequados sobre os corpos dos membros eram publicados na internet.

“Eu só notei agora que ambas as pernas do Haechan estão no colo do Yuta. Essas coxas expostas aliás…”

Não apenas os comentários maliciosos sobre os corpos e aparência dos membros, também foi de grande preocupação os comentários sobre os “ships”, casais desejados pelo público.

“Melhor casal marksung”

Em 2016, época em que o tweet foi publicado, Jisung tinha 14/15 anos e Mark tinha 17/18. Ainda assim, a visão de dois adolescentes amigos ainda era reproduzida como a de um casal, repercutindo em fanfics e fanarts. Talvez você não consiga ver o problema, mas, entenda bem: Ambos eram menores de idade.

Esse é um problema que foi domado com muita dificuldade, afinal, sempre houveram fanfics sobre Mark e Jisung, Mark e Haechan, Jeno e Jaemin… E não era um problema exclusivo do NCT, pois sempre houveram fanfics de cunho sexual envolvendo Jungkook do BTS enquanto o maknae do grupo ainda era menor de idade.

Entretanto, alguns anos mais a frente, quando o fandom do Stray Kids ainda surgia, existia uma grandíssima movimentação pelos ships “Minsung” e “Changlix”, ambos envolvendo um membro maior de idade na época e outro menor de idade. Até hoje me recordo bem de quando, em um grupo de DM, questionei por que detestavam quando haviam tweets e histórias de cunho sexual com o maknae, Jeongin/I.N (2001) enquanto não tinham o mesmo propósito de defender os outros membros, que eram apenas 4/5 meses mais velhos, mas ainda assim menores de idade. A resposta nunca veio direito, mas sempre era articulada mais ou menos assim:

Ah, é por que o Jeongin é um bebê!

Não soa razoável, soa? O próprio fandom em casos extremos acaba se policiando, mas o que fazer quando as coisas saem do controle e esse comportamento é estimulado entre os fãs?

Acontece que, além de expor os ídolos menores de idade a situações de trabalho exaustivo, conciliando estudos, prática, apresentações e mais uma variedade de afazeres, as empresas os expõem também aos riscos de ter uma figura pública sem preparo emocional algum.

Eu nunca irei apoiar um sistema que é tão sexista, gordofóbico, lavador cerebral e que destrói crianças ou até um adulto crescido. — Seo Herin, ex trainee da SM e participante do reality show Idol School.

Não é novidade que a indústria não se importa. Jogando estrelas de catorze, quinze anos de idade no mercado para que ganhem atenção por seu talento em idade pouca, pelo fator da fofura, ignorando completamente os olhos perversos que caem sobre seus artistas. Não há preparo psicológico, muito pelo contrário: O fanservice é estimulado. Garotas muito novas são forçadas a performar com figurinos explícitos, reveladores, enquanto cantam sobre amor e coisas doces com um sorriso no rosto.

(…) não podemos esquecer que em Whatta Man do I.O.I, Catch Me do WJSN e em Meow Meow do CLC as coreografias eram sensuais demais para grupos com integrantes menores de idade, e ainda assim, em grupos com membros com menos de 18 anos (ou 20, o que seria o ideal para a maioridade coreana), os fãs internacionais imploram por conceitos mais quentes.

Somi no I.O.I, quando tinha apenas 15/16 anos.

Tzuyu do TWICE em comercial com apenas 16/17 anos.  fonte: x

Fica óbvio então: As empresas se beneficiam desse tipo de consumo. A não ser que algo manche a imagem de seu artista, vocês já viram alguma empresa publicar uma nota oficial sobre tomar medidas legais em relação à comentários maliciosos contra seus artistas na menoridade? Bem, eu não, e se vi, foram poucas, afinal, as fanfics geram feedback, o fanservice é estimulado.

Imagem relacionada

Baek Jiheon, de 16 anos, maknae do fromis_9, participando do “Peppero game”.

Preciso recordar sobre o incidente mais cedo nesse ano com a modelo mirim Ella Gross, de apenas onze anos de idade. Em um comercial para a marca de sorvetes Baskin Robbins, a garota comia sorvete como qualquer ser humano normal, no entanto, os homens coreanos encheram os comentários do vídeo com palavras nojentas, de baixo calão e de conteúdo sexual. “Suas ações e maquiagem dão uma sensação sexual”.

E o que vem ao caso, é que a preocupação persiste: Uma nova geração está surgindo, mais e mais adultos e adolescentes continuam fazendo os mesmos comentários absurdos com os ídolos que estão debutando. Com tanta gente pra lá de 2002 estreando, é de se manter os dois olhos abertos:

  • Denunciar tweets que pareçam perigosos, que sexualizem um indivíduo ou que o diminuam como ser humano. Sendo adolescente ou não, sendo da idade do artista ou não, elo ainda é menor de idade, e seu tweet, post ou artigo pode SIM ser denunciado.
  • Denunciar vídeos que tenham foco em partes do corpo expostas, como pernas, coxas, virilha, costas, busto, etc.
  • Denunciar fanfics/aus/cenários que contenham conteúdo explicito entre menores de idade.
  • Em casos extremos, quando a plataforma não solucionar seu problema, expor a situação para o próprio fandom e, se possível, para a empresa do artista via e-mail, que vai manter olhos fechados até que o assunto vire uma bomba no colo dos CEO’s.

É ainda mais importante conscientizar o fandom em situações como essa: denuncie, mas chame o @ na dm. Seja sincero, exponha seus pontos e peça para a pessoa deletar o próprio comentário. Educar é válido e evita a propagação do comportamento ofensivo.



Os idols precisam seguir uma lista de regras, e muitos deles até mesmo tem aulas de etiqueta e comportamento. Para ajudar com os compromissos e com as tarefas anteriormente citadas, managers (gerenciadores/gerentes) e staffs são contratados para isso, de forma que o grupo não precisa e preocupar com detalhes muito pequenos. Contudo, não foi só uma vez que vimos os idolos de kpop sofrerem pelo abuso de poder dado pela empresa para esses managers. Confiram abaixo um compilado simples, mas que explica bem o tópico e que merece ser discutido:

Manager mandando Ten e Johnny do NCT pararem de falar em inglês. Johnny para de rir na mesma hora e fica até um pouco sem ação pra voltar pro coreano.

Managers do NCT novamente brigando com os membros por trás das câmeras e Mark pedindo pra eles ficarem quietos por isso.

Jennie do BLACKPINK fazendo caretas várias vezes para os staffs dos eventos.

Staff que ameaçou bater no Jungkook do BTS. Ele foi demitido após manifestação das fãs.

Manager do I.O.I gritando com membro de forma rude para que entrasse logo no carro.

Staff tossindo pra que Seungjun parasse de fazer skinship com o Jihun, ambos do KNK. (olha a cara que ele faz)

Por isso, as NCTzens usaram a tag , mostrando o quão controladores esses profissionais podem ser. Há vídeos de alguns deles batendo várias vezes no rosto e na cabeça de fãs, xingando fãs mesmo com a situação pacífica e até mesmo há histórias de managers sasaengs, que perseguem os artistas e tocam demais nos seus corpos. (aconteceu com doyeon do weki meki, xiyeon do pristin e yerim do g-friend).

Não deixem de reclamar sobre esse assunto. Se um artista é menosprezado por alguém que deveria cuidar de seu bem estar, não feche seus olhos e reclame para a empresa. Funcionou com o BTS, portanto, não se cale!



Não é novidade que na cultura de fandoms, as fãs acabem gostando do relacionamento entre determinado artista com outra pessoa. Essa simpatia é normal, e eu até diria saudável, até que chegamos ao ponto crucial desse artigo: Quando deixa de ser saudável e passa a ser neurótica e maléfica. Precisamos primeiro entender o conceito de uma palavrinha chamada Fanservice.

Fanservice (n.): Interações entre os membros ou voltadas para os fãs com intuito de agradar a quem assiste e/ou mostrar carinho.

Em resumo, fanservice pode ser ou não algo planejado, e mesmo que seja, pode também ser feito também com vontade própria do artista, e não somente para agradar os fãs. Não entendeu? Se liga nos gifs abaixo:

Roçar o corpo no amiguinho, dar beijinhos, abraços do nada? Fanservice. Seja ele intencional ou não.

Fazer fofurinhas, expressões sensuais ou qualquer coisa do gênero? Fanservice, seja ele inato a personalidade do artista ou não.

Agora que entendemos isso aqui, vamos entender que o fanservice as vezes é feito simplesmente por fins de deixar as fãs atacadas. Faz parte do trabalho dos idols e artistas coreanos, e é enraizado também na cultura japonesa. Falo sobre isso pra que vocês, leitores, entendam que nem sempre aqueles dois coleguinhas estão bem um com o outro naquele momento, mas ainda assim eles vão esbanjar sorrisos, abraços e carinhos no palco/programa. O trabalho deles é entreter e mostrar uma imagem pacífica, quase familiar.

Isso não significa que eles não possam discutir ou que o trabalho deles seja errado. Só trago esses fatores para explicar que acontece. BTS mostra sempre uma imagem de que estão constantemente felizes e de bem com a vida uns com os outros, mas com o lançamento do Burn The Stage pudemos perceber que não é assim que funciona. Eles brigam, ficam sem se falar, choram, e depois de tudo precisam dar as mãos na frente das fãs e fazer peppero game pra deixar as fujoshis atacadas (generalizando, não me mantendo no BTS em si).

A questão aqui não é afirmar heteroafetividade ou homoafetividade entre os artistas. Mas sim dizer que ninguém além deles mesmos tem o poder de, com todas as forças, dizer que o membro x namora com o fulano de tal. Confesso que comecei esse artigo, especificamente, por um fandom em questão. Stray Kids debutou somente nesse ano, mas já existe uma quantidade absurda de shippers com os olhos fechados pra realidade, fazendo postagens genéricas pra comunidade-shipper-radical.

Tá bom então.

Deixo as palavras da fanbase com vocês:

(Abram o tweet caso não apareça tudo)

Preciso mesmo lembrar vocês que Louis Tomlinson, membro do One Direction, afirmou com todas as letrinhas que por o shipparem tão compulsivamente com Harry Styles, outro membro do grupo, eles se afastaram. Preciso lembrar que é literalmente isso que acontece com várias amizades no kpop, incluindo Mingyu e Wonwoo do SEVENTEEN, que eram como carne e unha no pre debut e agora tem bem menos interações devido as shippers coreanas insensatas?

Louis confirmou para o The Sun que os rumores deixaram as coisas difíceis para ele e Harry, que sentiu que eles precisavam deixar as especulações das fãs de lado — principalmente por Louis estar namorando sério Eleanor.

“Eu sou tão protetor com coisas assim, sobre as pessoas que eu amo. Então foi criada essa atmosfera entre nós dois onde todos observavam tudo que nós faziamos. Acaba com toda a vibe que você tem com alguém.” Louis disse. “Deixou tudo um pouco mais inacessível. Eu acho que isso mostra que nunca houve nada ‘real’, se posso usar essa palavra.”

Não vamos esquecer de quando o ARMY começou a fazer teorias sobre casamento entre membros, e nem vamos falar sobre como existe ódio dentro do próprio fandom, criando até mesmo uma rivalidade entre os membros V e Jimin, pois cada lado das bonitas shippam o membro Jeongguk com um dos dois. É uma constatação idiota, se me permitem a palavra, afinal, V já derramou lágrimas ao falar sobre como Jimin era seu melhor amigo. Vamos considerar também que Jeongguk já viajou com ambos os membros, e faz atividades iguaizinhas com os outros 4.

Vmin sendo bolinhos por fins didáticos.

Por fim, quero deixar claro que a NPOMV abomina qualquer tipo de discussão entre fandom por ship. Você é fã pelo trabalho do artista, e não por quem ele namora ou deixa de namorar (… provavelmente). Esqueça esse comportamento nada saudável, e entenda que o fulaninho que você jura que casou e tem seis filhos com o ciclaninho pode muito bem ser assexual, como Minsung, ex membro do Topp Dogg. O dito cujo sempre foi o rei do fanservice, mas simplesmente não sente atração sexual por ninguém, zero, nadinha.

Em um tom mais ácido, se me permitem: aceita que ele pode ser o que for. Pode namorar uma, duas, ser cafajeste, pode já ter traído uma pessoa com outra do mesmo grupo (coisa que Lee Jeon já afirmava que acontecia desde 2013, e que os membros ficam super o.k com isso e só partem pra beijar outra boca). Aceita que ele, ou ela, pode fingir ter um determinado comportamento homoafetivo e até incentivar esses rumores, como Heechul do Super Junior, simplesmente para não levantar suspeitar sobre suas namoradas/namorados.

Por fim, sejam felizes. Shippem, dialogue sobre, façam teorias, mas não façam disso algo psicótico e prejudicial pra você e pro artista.



Você muito provavelmente deve ter aberto esse post achando que ele se tratava de uma lista de idols que tem um vocal f*da e que tem aquele alcance incrível que parece até que é mentira. Mas não (na verdade, sim, mas ao mesmo tempo não), esse artigo não é sobre isso. Ficou confuso né? Calma, senta ai que eu vou explicar.

Quando se trata de vocal, as pessoas tendem muito a se focar nas notas que aquele ou aquela vocalista é capaz de alcançar. Se o artista consegue fazer uma voz grave e depois um agudo? Nossa! Esse daí é talentoso, não é mesmo? Bom, muito provavelmente sim, mas não devemos nos resumir a isso.

Extensão vocal é algo com o qual uma pessoa nasce, são as notas naturais e isso não depende da qualidade imposta na emissão dessas notas. São os tons que a voz de alguém consegue produzir, e estão relacionados com as vibrações de nossas cordas vocais. Nesse caso, não é, necessariamente, um dom, mas pode sim ser considerado como um. Vale lembrar que é apenas a forma como seu corpo se desenvolveu, a forma como suas cordas vocais funcionam, o jeitinho que você nasceu.

Por outro lado, temos uma perspectiva diferente sobre talento. Muitas pessoas podem ter uma ampla extensão vocal, mas quando se trata da tessitura o assunto muda de figura. Tessitura nada mais é do que a forma com que as notas são emitidas sem esforço, ou seja, abrange uma quantidade menor de notas para qualquer artista. Um cantor pode muito bem treinar para que sua emissão seja mais concreta e limpa.

Exemplo de emissão de nota feita com dificuldade, mas que pode ser aperfeiçoada:

Exemplo de emissão de nota feita com bem menos esforço:

Claro, não há problema algum em ter um desempenho ruim em determinada emissão de notas, até porque esse alcance pode ser usado em outras situações que não envolvam canto e pode até sequer ser usado por um cidadão comum. Em outras palavras, talento é algo que podemos desenvolver melhor, que pode ser reforçado, treinado, aprimorado, de forma que a pessoa saiba a forma correta de reproduzir aquilo que tem como objetivo.

Agora que já entendemos a parte mais conceitual e complicada desse post (que nem a gente entende direito), vamos ao objetivo principal: A forma como as pessoas julgam alguém como bom vocalista ou não. Já que essa é uma página voltada ao Kpop, nós vamos falar mais especificamente para o mundo da música pop coreana e seus fãs.

O quão comum é, para vocês, ver alguém elogiando um vocalista e mencionando seu alcance? Quantas vezes já viu uma fanwar em que alguém diz que um vocal X de tal grupo é melhor que o vocal Y de outro grupo porque ele alcança mais notas? Se você vai discutir talento com alguém (o que você não deveria fazer porque é desnecessário e só cria intriga e traz uma imagem ruim pro seu fandom), esse não é exatamente um bom caminho. Lembre-se, o gosto pessoal de alguém não lhe cabe meter o dedo.

Vamos fazer uso de um exemplo aqui. No grupo Seventeen, nós temos três units: Vocal Team, Performance Team e Hip-Hop Team. Focando na Vocal Team por razões óbvias você vai notar que o líder dessa unit é o Woozi. Agora eu te pergunto: Ele é o vocalista principal do grupo? Não. É o que tem o maior alcance vocal? Também não. — Estes postos são dos membros Dokyeom (DK) e Seungkwan, que também fazem parte de tal unit.

Quem está por aí e não é Carat pode estar se perguntando qual seria então a razão deste ser pequeno ser o líder da unit vocal, e a resposta é na verdade bem simples: Ele é o membro que tem a melhor técnica vocal. Isso quer dizer que, de todos os vocalistas, Woozi é o que tem uma maior habilidade e mais estabilidade em sua voz quando canta, e por essa razão ele é o mais indicado para líder da Vocal Team. Além disso, é eficiente trabalhando com música e por ter habilidade em produzir canções, também tem um senso de ritmo melhor que dos outros membros.

Você pode perceber, inclusive, que existem bastante grupos que não tem como vocalista principal aquele que tem o maior alcance ou a técnica mais “polida”, como por exemplo: KARA, GOT7, T-ARA, BTS, etc. Entendam: Isso não é uma crítica aos vocalistas principais, mas sim um exemplo de como as notas agudas são mais valorizadas do que uma emissão de qualidade.

O que estou tentando dizer aqui é: Um bom vocal não é determinado pelas notas que ele consegue alcançar, da mesma forma que um artista bom não é aquele que é ambidestro e sabe usar as duas mãos para pintar (dom com o qual ele nasce), mas sim aquele que aperfeiçoou a sua pintura com o tempo. Analogias de lado, é aquele que alcança as notas que o seu limite lhe proporciona com um bom desempenho e que busca evoluir constantemente. A metáfora foi meio esquisita, mas espero que tenha ajudado a entender o que estou querendo dizer 😅.

Por fim, não precisamos parar de elogiar e apreciar o alcance vocal de ninguém, mas sim compreender que não é só isso que faz um bom vocalista, e sim: técnica, estabilidade, treino e a paixão pelo que faz — até porque se for pra fazer de má vontade, então nem faz — e isso nós temos de sobra no mundo do Kpop.

Para finalizar eu vou deixar vocês com um exemplo de uma performance vocal incrível que não precisou de um alcance vocal extenso e que não foi feita pela vocalista principal do grupo, mas ainda assim foi excelente:



Talvez muitos de nós não saibamos a resposta para a pergunta que ronda a mente de todo e qualquer fã: Por que escrevemos ou lemos fanfics? Caso não saiba, fic, ou fanfic, é uma abreviação para fan fiction. Traduzindo, é uma história fictícia criada por fãs de determinado artista ou ídolo em geral, e nessa categoria entram também desenhos animados e personagens de quadrinhos, de outros livros e afins. Você com certeza já viu uma autora divulgando seus trabalhos, e, provavelmente, se questionou qual a razão desse universo ser tão consumido, não encontrando muitas respostas.

Pra começo de conversa, é bom a compreensão de que as histórias são uma fuga.  Segundo Sigmund Freud, pai da psicanálise, o homem vivencia certos tipos de projeções, que são assim denominadas por servirem como alívio para sentimentos de culpa ou raiva. Explicando em outras palavras, todos os sentimentos negativos e naturais da psiquê humana são combustível para parte da nossa energia criativa, por isso, histórias e desenhos sempre carregam parte de nossa personalidade. Em resumo, escrever é saudável, e você pode muito bem compreender isso lendo o livro E a Louca Tinha Razão de Linda Schierse Leonard, filosofa e analista Junguiana que traz um ponto de vista em relação ao tópico voltado para a mulher.

Com isso em mente, é muito fácil compreender a razão pela qual mulheres são as maiores consumidoras de histórias fictícias. Qualquer indivíduo que sofre com determinado tipo de repressão pode sublimar suas energias negativas em um universo alternativo, que por vezes acaba sendo em fanfics, livros e similares.  Justamente por tal opressão, é mais fácil criar um universo em que as coisas funcionam como o autor quer, se opondo a repressão sofrida no cotidiano ou explicitando sentimentos abafados de uma maneira menos literal. É também mais comum que nos apeguemos à um enredo que, de alguma forma, seria visto com maus olhos por um ou outro, como homoafetividade (que obviamente não é problema nenhum), consumo de drogas, agressão e psicopatologias.

É preciso relembrar que ter um ídolo não é considerado doença mental e faz parte da construção de qualquer ser humano, sendo um exemplo de inveja saudável, afinal, nossos primeiros ídolos são nossos pais ou cuidadores. Com o tempo, uma mente saudável passa pelo denominado “luto” dos pais da infância e logo começamos (e precisamos!) buscar outros exemplos. Almejamos ser como as pessoas que admiramos e elas irão servir para construir parte do da personalidade e das ambições de cada um. Lembrando que a personalidade é constituída pelo caráter e temperamento (ambiente e biologia).

Por ser uma atividade tão natural e saudável, ser fã e o exercício da imaginação com aqueles que nos são ícones em alguma área (profissional, social e outras), é nada mais do que a nossa capacidade criativa sendo desenvolvida. Não sabemos como os artistas ou influenciadores são, e, na verdade, nunca se escreve sobre a personalidade em si, e sim representações imaginárias que não condizem com a realidade. Novamente, é algo pessoal, usando a imagem de algo conhecido e admirável para alcançar um objetivo. Compartilhar desse hobby com amigos é também uma atividade construtiva e desenvolve a sociabilidade e alivia tensão.

Por que é tão comum que se almeje que sua história tenha um bom feedback? É o seu inconsciente trabalhando. Inconsciente é mais um conceito de Freud, que é uma parte da nossa mente onde estão armazenados os conteúdos desagradáveis. Já segundo Carl Jung, pai da Psicologia Analítica, seu inconsciente pessoal é o responsável por sentimentos, ideias e desejos reprimidos durante sua vida.  Em resumo: Você expôs suas vontades mais internas, mesmo que com um reflexo mínimo sobre o quão pessoal a história é. Nada mais justo que sentir-se aceito e compreendido ao ter reconhecimento a partir de sua história.

A Nunca Pause o MV não se posiciona contra ou a favor de tais práticas. Esse artigo tem a finalidade única de explicar as razões, segundo a psicologia, para a escrita ou leitura de história fictícias com os ídolos adquiridos durante a vida. Comente sua opinião! Você lê, escreve, ou tem um ponto de vista distinto?

 

PS: Esse artigo foi escrito e revisado por estudantes de psicologia do 3º e 7º período, feito com o linguajar menos técnico para aumentar a facilidade de compreensão! Estamos completamente abertos a correções e indagações.



Talvez você tenha vindo aqui esperando que esse artigo fosse sobre como o conceito fofo também sexualiza as meninas e chama a atenção de pervertidos e toda a história que todo mundo conhece bem, basta ter um cérebro e você saberia disso. Mas, não, esse não é o tópico desse artigo.

Para início de papo, Loona é um girlgroup com doze membros e cada uma teve/terá um lançamento solo antes do debut oficial. Dentro do grupo, existem units, e a Odd Eye Circle, composta por Kim Lip, Jinsoul e Choerry chamou atenção. Os solos das meninas possuem mais de 1,7 milhões de views cada, e em compensação, o conceito mais diferente, “puro” e simples do grupo, de Hyunjin, mesmo tendo sido lançado em 2016, tem apenas 600 mil views (um pouco a mais devido à mutirões para subir as views). Até Yves e Chuu, as membros mais novas, ultrapassaram as visualizações dos dois MVs da integrante.

Kim Lip – Eclipse

Chegamos então no tópico principal: Por que então o conceito fofo ou puro se torna tão repulsivo, ao ponto da rejeição ou de ficar para trás pelo público internacional?

Acontece que, hoje, para um público muito grande, ser feminina é um sinal de fraqueza. O que é aprovado são girlgroups com roupas modernas, cortes de cabelo curtos com cores vibrantes e movimentos duros e sensuais. O grande problema é que, vemos uma quantidade absurda de boygroups stans que simpatizam somente com grupos como BLACKPINK, 2NE1, Sistar, AOA, e outros grupos que ousam da forma citada anteriormente, e o motivo é simplesmente que o som e o estilo se assemelha mais ao produto que sempre foi exibido pelos homens na indústria.

É nada mais do que um passo imenso para as mulheres que elas possam se vestir, dançar e cantar conceitos mais poderosos, mas, por que o apoio internacional é focado somente para um tipo de poder? Muitos dos comentários que se repetem são sobre como as integrantes se sentem desconfortáveis agindo fofas, mas, convenhamos, Jisoo do BLACKPINK teve sua calcinha a mostra devido a roupas curtas demais em um MV, Stellar gravaram mvs com tanguinhas e Yeseul do 4ladies saiu do grupo pois se sentia desconfortável com  conceito explicitamente sensual (que foi igualmente louvado e criticado). Com certeza, nenhuma delas estava se sentindo bem o bastante, independente do conceito.

Vamos lembrar também que até mesmo membros de grupos consagrados no sexy concept se sentiam cansadas de tanta repetição. Dasom do SISTAR reclamou que o grupo nunca mudava de conceito, tentando o sexy oriental, sexy fofo, sexy verão, e vários outros tipos de sensualidade que faziam com que expusessem seus corpos. Aqui temos a afirmativa principal: Uma mulher só deveria dançar e cantar o que quisesse, não importa o conceito. A exploração do corpo feminino acontece em ambas as situações, e claro, não podemos esquecer que em Whatta Man do I.O.I, Catch Me do WJSN e em Meow Meow do CLC as coreografias eram sensuais demais para grupos com integrantes menores de idade, e ainda assim, em grupos com membros com menos de 18 anos (ou 20, o que seria o ideal para a maioridade coreana), os fãs internacionais imploram por conceitos mais quentes.

Somi no I.O.I, quando tinha apenas 15/16 anos.

Tzuyu do TWICE em comercial com apenas 16/17 anos.

CLC mudou de conceito e alcançou um novo recorde em álbuns, contudo esse recorde foi de apenas mil cópias a mais, além do single Hobgoblin ainda ter ficado para trás se comparado ao debut. No comeback seguinte, Where Are You, CLC demorou dias para alcançar 1 milhão de views, tendo hoje 2 ou 3 milhões (somando dois canais) em comparação com Hobgoblin que ao somar os dois canais oficiais + dance version tem mais de 31 milhões (22, sem o dance ver.) Sabemos que views são boas pelos anúncios e para a promoção do kpop internacionalmente, além de contar pontos de streaming, contudo, de que adianta explodir em visualizações com um conceito para serem abandonadas em outro?

E então chegamos no tema respeito. Sabemos que não é fácil pra absolutamente ninguém sobreviver na indústria do Kpop, mas quando um girlgroup debuta com conceito fofo, é por que elas precisam de uma resposta rápida, e ela só acontece agradando o público coreano. Sem o apoio coreano ou internacional, como é o caso de grupos como Matilda, que debutou mais cute e transitou para um girl crush poderoso, os grupos não tem chance alguma no mercado. Se é assim tão complicado, qual a razão de menosprezar o trabalho e treino de anos de mulheres e garotas que já são exploradas e abusadas por suas empresas?

Ninguém pede pra que você compre os álbuns de todo gg ou bg mal sucedido, longe disso. Mas apoio não é somente ver o MV uma vez e fingir que é fã no twitter pra no próximo lançamento esquecer tudo por um grupo mais popular. Apoio é ajudar com tags, seguir nas redes sociais, bater coraçãozinho no vlive, postar vídeos do grupo no twitter/facebook que viralizariam, encher o saco postando curiosidade e panfletando até pra sua vizinha fofoqueira.

É claro, todos podemos ter nossas preferências. Você pode gostar mais de tipo de conceito um conceito, tipo de coreografia, de um corte de cabelo diferente, etc. O foco aqui é não menosprezar algo só porque não é muito a sua praia. É difícil agradar a todo mundo,obvio, e variar é sempre bom. Feminilidade não é sinal de fraqueza, tanto para girlgroups ou boygroups, assim como masculinidade não é necessariamente apelação ou algo batido.

O fato é que, por mais que o conceito agrade mais homens coreanos que mulheres, não podemos deixar de notar uma quantidade imensa de fãs internacionais objetificando os corpos de k idols femininas quando elas usam roupas mais curtas ou sensuais. Isso acontece com várias artistas, incluindo menores de idade, que sequer são lembradas por suas músicas, mas apenas citadas em publicações de idols com seios fartos, bunda grande ou coxas fortes. Entre elas estão Arin do Oh My Girl, que debutou em 2015 com 16 anos aqui e 17 na Coréia, Tzuyu do Twice e Somi do I.O.I, já previamente citadas, Yeri do Red Velvet e muitas outras. (considere que, as três últimas são bastante reconhecidas, mas ainda assim foram sexualizadas enquanto menores)

Consideremos também que, quando Minsung (mais conhecido por Hansol, ex topp dogg) dançava coreografias femininas e aparecia por ai com batons, era aplaudido pelos fãs internacionais, o mesmo se aplica ao Ren do Nu’est, Heechul do Super Junior e outros. Você pode afirmar que esses são justamente os conceitos previamente apoiados por girlgroups, e se seguiu essa linha de raciocínio, está correto! Contudo, vemos uma certa diferença de tratamento aqui.

Para comprovar meu ponto, trago ao foco grupos como Astro, que abusavam do conceito fofo e puro na época do debut até o último lançamento, quando começaram a mudar um pouco sua imagem, e ainda assim recebiam um apoio imenso se comparado aos grupos femininos de mesmo conceito, apoio esse que só cresce.

O fato é que boygroups sempre se safam com mais facilidade a respeito de mudanças de conceito como essas. A explicação por trás disso sendo simplesmente porque eles são homens, o que leva as pessoas a engolirem com mais facilidade o que eles fazem. As empresas desses grupos contam com isso ao fazer alguma mudança em um membro ou conceito, enquanto ggs não tem essa base firme de apoio com o qual contar. É por essa razão que precisamos abrir os olhos para essa discriminação com qualquer conceito que não seja crush, power, ou sexy.

O conforto dos idols deveria sempre ser uma de nossas prioridades, até porque no mundo do kpop, o fanservice é algo notável e constante. Nossa retribuição ao menos deveria ser a flexibilidade quanto às mudanças pelos quais eles passam e o apoio a eles quando tentam algo novo ou arriscado.