Estamos sempre ligados nos grupos de k-pop que surgem dos derradeiros e torturantes programas de sobrevivência. Mas, e as bandas? Quantas delas você escuta hoje e quantas delas tiveram suas habilidades testas por jurados e um público ativamente interessado nesse “sub-nicho” da música pop coreana? Se sua resposta for “não muitas”, apresento, através desta review, a banda de pop rock sul-coreana LUCY, que debutou em 2020, após sua incrível participação no JTBC, SuperBand.

Formada por quatro integrantes (Cho Wonsang, Choi Sangyeop, Shin Gwangil e Shin Yechan), a banda é administrado pela empresa Mystic Story, casa das lendárias Brown Eyed Girls, e até o momento já lançou cinco discos e algumas OSTs, incluindo o mais recente single album, “Gatcha!”.

Particularmente, vejo o LUCY é um dos atos mais originais e subapreciados da atualidade. O nome fofo – que vem de lux (light ou luz, em português) e da cachorrinha com quem brincavam durante os ensaios – esconde poderosas habilidades de composição e produção, e vocais encantadores, além de um instrumento incomum e que se tornou a assinatura oficial do grupo: o violino do integrante mais velho com cara de bebê, Yechan.

Com uma sonoridade que mistura sons da natureza, instrumentos convencionais e, agora, elementos eletrônicos e retros, garanto que há muito tempo você não escuta nada parecido com o LUCY. É uma explosão de doçura e bobagens que fazem você se sentir abraçado a cada nova música. Aposto que apenas essa descrição faz você sentir a vontade de dar um play, não é mesmo? Então comece pelo melhor trabalho deles até o momento. Vamos lá?

"Gatcha!", LUCY

Grande demais para ser um single album, porém pequeno demais para ser um mini-album ou full album, “Gatcha!” explora através de suas quatro músicas o lado mais comercial do quarteto, no entanto, incrivelmente original. Abrindo a tracklist temos a title track “I Got U”, uma produção repleta de energia, que destaca o baixo do Wonsang e o violino do Yechan, fazendo os ouvintes mais acostumados não perderem o encanto que tiveram sempre. Essa combinação também garante a surpresa dos novos ouvintes, por mais familiarizados que estejam com as k-bands, fazendo do LUCY uma aposta boa para aqueles que procuram a todo momento novos artistas.

“I Got U” começa com um coro energético, revelando um pouco do que vem por aí no refrão. Passando pelos versos, a caminho do pré-refrão, absorvemos uma forte energia dos instrumentos e da melodia, que colaboram para o surgimento de um clímax ainda mais poderoso. Os elementos eletrônicos dão ao instrumental um clima distinto das outras faixas-título, abrindo caminho para um universo de possibilidade que, com certeza, em breve será explorado pela banda. Saiba que todos os integrantes cantam, sejam harmonias ou em uníssono, mas nessa ocasião é necessário ressaltar a rica, doce e memorável voz do Sangyeop amarrando os elementos de “I Got U” em um presente que preenche o coração de alegria e a química do cérebro de serotonina. Certamente é um jam de verão que todos precisam escutar.

E não para por aí. Logo em seguida temos “One by one”, outra música que permeia pela tendência retro do k-pop, mas que não se entrega ao genérico ou ordinário. Tal faixa contínua mostrando a evolução do LUCY e sua habilidade de fazer a sonoridade que quiser, quando quiser. É possível notar o forte uso de efeitos de mesa de estúdio, com a sorte de não ser nada medonho ou artificialmente repugnante, como em alguns casos de autotune. O synth-pop surge acompanhado da guitarra, violino e dos momentos intensos do baixo. Além do Sangyeop, Gwangil toma o microfone para si e mostra que o maknae e baterista não está ali de brincadeira. No clímax, sentimos a distorção em seu ápice; certamente não é a coisa mais agradável, mas o desconforto causado atrai a atenção e cria um senso de alerta para o que vem a seguir. Essa é uma estrutura cheia de idas e voltas, subidas e descidas, que injetam emoção direto na veia. Diferente e impressionante.

Na reta final da coletânea, somos convidados a imaginar como seria estar em um concerto do quarteto. Em “Buddy”, os fones de ouvido pulsam com os eletrônicos, no entanto, os sintetizadores estão diferentes do usual, são mais densos e usados com moderação, abrindo espaço para as combinações vividas dos instrumentos serem notadas com clareza. O refrão explode com carisma e uma letra chiclete, digno de ser cantado por uma multidão antes da tracklist de uma turnê acabar. Os vocais aumentam a cada volta e, para evitar qualquer deslize, são distorcidos na medida certa, brincando aqui e ali, nunca se levando a sério demais. Dá para sentir a vibe otimista que o grupo busca transmitir. Outro gol fácil, 3 a 0.

"Gatcha!", LUCY

Fechando o álbum, “Wonder” entrega a sonoridade usual do quarteto. O sintetizador foi embora e retornamos ao clássico LUCY movido ao violino, o pop rock com um pezinho no indie e no orquestral, e os vocais que acalentam a alma. Uma maneira simples e inesperada de fechar um trabalho tão experimental para os padrões deles, porém, compreendo esse presente para os fãs de longa datas. Além de ser um agrado, é uma mensagem de que os integrantes não esqueceram suas raízes. Os vocais estão mais crus e o refrão é consistente, sem repetições apelativas e uma segunda parte que surfa apenas no instrumental. Quem ainda não conhece o LUCY e escutou esse álbum acaba recebendo uma bela introdução dos trabalhos antigos.

Para um lançamento com poucas faixas, “I Got U” é perfeito. Os deslizes são mínimos e a vontade de ouvir novamente cada uma das produções é gigantesca. Sinto a ambição, as futuras possibilidades e o talento de cada integrante que, mais uma vez, entregaram tudo de si, resultando em uma obra sem arrependimentos e que ficara na playlist (pelo menos na minha) por muito, muito tempo. Não consigo lembrar de nenhum grupo que, atualmente, trilhe o mesmo caminho do LUCY, por isso, penso que se o público der uma chance, eles estouram. Esses quatro rapazes são capazes de ir longe, portanto, trate de acordar Mystic Story!

O lançamento tira uma nota 09 na nossa avaliação.

E você, o que achou do “Gatcha!”? A coletânea está disponível em todas as plataformas de streaming, junto do restante da discografia. Vale muito a pena dar uma conferida!

 

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lcbenedito
Jornalista por formação, redator na prática. No interior de São Paulo esperando para rodar o mundo. Geminiano, viciado em internet, mangas, animes e Monsta X.

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