#PAPOSÉRIO: Girlgroups e o conceito fofo.

Talvez você tenha vindo aqui esperando que esse artigo fosse sobre como o conceito fofo também sexualiza as meninas e chama a atenção de pervertidos e toda a história que todo mundo conhece bem, basta ter um cérebro e você saberia disso. Mas, não, esse não é o tópico desse artigo.

Para início de papo, Loona é um girlgroup com doze membros e cada uma teve/terá um lançamento solo antes do debut oficial. Dentro do grupo, existem units, e a Odd Eye Circle, composta por Kim Lip, Jinsoul e Choerry chamou atenção. Os solos das meninas possuem mais de 1,7 milhões de views cada, e em compensação, o conceito mais diferente, “puro” e simples do grupo, de Hyunjin, mesmo tendo sido lançado em 2016, tem apenas 600 mil views (um pouco a mais devido à mutirões para subir as views). Até Yves e Chuu, as membros mais novas, ultrapassaram as visualizações dos dois MVs da integrante.

Kim Lip – Eclipse

Chegamos então no tópico principal: Por que então o conceito fofo ou puro se torna tão repulsivo, ao ponto da rejeição ou de ficar para trás pelo público internacional?

Acontece que, hoje, para um público muito grande, ser feminina é um sinal de fraqueza. O que é aprovado são girlgroups com roupas modernas, cortes de cabelo curtos com cores vibrantes e movimentos duros e sensuais. O grande problema é que, vemos uma quantidade absurda de boygroups stans que simpatizam somente com grupos como BLACKPINK, 2NE1, Sistar, AOA, e outros grupos que ousam da forma citada anteriormente, e o motivo é simplesmente que o som e o estilo se assemelha mais ao produto que sempre foi exibido pelos homens na indústria.

É nada mais do que um passo imenso para as mulheres que elas possam se vestir, dançar e cantar conceitos mais poderosos, mas, por que o apoio internacional é focado somente para um tipo de poder? Muitos dos comentários que se repetem são sobre como as integrantes se sentem desconfortáveis agindo fofas, mas, convenhamos, Jisoo do BLACKPINK teve sua calcinha a mostra devido a roupas curtas demais em um MV, Stellar gravaram mvs com tanguinhas e Yeseul do 4ladies saiu do grupo pois se sentia desconfortável com  conceito explicitamente sensual (que foi igualmente louvado e criticado). Com certeza, nenhuma delas estava se sentindo bem o bastante, independente do conceito.

Vamos lembrar também que até mesmo membros de grupos consagrados no sexy concept se sentiam cansadas de tanta repetição. Dasom do SISTAR reclamou que o grupo nunca mudava de conceito, tentando o sexy oriental, sexy fofo, sexy verão, e vários outros tipos de sensualidade que faziam com que expusessem seus corpos. Aqui temos a afirmativa principal: Uma mulher só deveria dançar e cantar o que quisesse, não importa o conceito. A exploração do corpo feminino acontece em ambas as situações, e claro, não podemos esquecer que em Whatta Man do I.O.I, Catch Me do WJSN e em Meow Meow do CLC as coreografias eram sensuais demais para grupos com integrantes menores de idade, e ainda assim, em grupos com membros com menos de 18 anos (ou 20, o que seria o ideal para a maioridade coreana), os fãs internacionais imploram por conceitos mais quentes.

Somi no I.O.I, quando tinha apenas 15/16 anos.

Tzuyu do TWICE em comercial com apenas 16/17 anos.

CLC mudou de conceito e alcançou um novo recorde em álbuns, contudo esse recorde foi de apenas mil cópias a mais, além do single Hobgoblin ainda ter ficado para trás se comparado ao debut. No comeback seguinte, Where Are You, CLC demorou dias para alcançar 1 milhão de views, tendo hoje 2 ou 3 milhões (somando dois canais) em comparação com Hobgoblin que ao somar os dois canais oficiais + dance version tem mais de 31 milhões (22, sem o dance ver.) Sabemos que views são boas pelos anúncios e para a promoção do kpop internacionalmente, além de contar pontos de streaming, contudo, de que adianta explodir em visualizações com um conceito para serem abandonadas em outro?

E então chegamos no tema respeito. Sabemos que não é fácil pra absolutamente ninguém sobreviver na indústria do Kpop, mas quando um girlgroup debuta com conceito fofo, é por que elas precisam de uma resposta rápida, e ela só acontece agradando o público coreano. Sem o apoio coreano ou internacional, como é o caso de grupos como Matilda, que debutou mais cute e transitou para um girl crush poderoso, os grupos não tem chance alguma no mercado. Se é assim tão complicado, qual a razão de menosprezar o trabalho e treino de anos de mulheres e garotas que já são exploradas e abusadas por suas empresas?

Ninguém pede pra que você compre os álbuns de todo gg ou bg mal sucedido, longe disso. Mas apoio não é somente ver o MV uma vez e fingir que é fã no twitter pra no próximo lançamento esquecer tudo por um grupo mais popular. Apoio é ajudar com tags, seguir nas redes sociais, bater coraçãozinho no vlive, postar vídeos do grupo no twitter/facebook que viralizariam, encher o saco postando curiosidade e panfletando até pra sua vizinha fofoqueira.

É claro, todos podemos ter nossas preferências. Você pode gostar mais de tipo de conceito um conceito, tipo de coreografia, de um corte de cabelo diferente, etc. O foco aqui é não menosprezar algo só porque não é muito a sua praia. É difícil agradar a todo mundo,obvio, e variar é sempre bom. Feminilidade não é sinal de fraqueza, tanto para girlgroups ou boygroups, assim como masculinidade não é necessariamente apelação ou algo batido.

O fato é que, por mais que o conceito agrade mais homens coreanos que mulheres, não podemos deixar de notar uma quantidade imensa de fãs internacionais objetificando os corpos de k idols femininas quando elas usam roupas mais curtas ou sensuais. Isso acontece com várias artistas, incluindo menores de idade, que sequer são lembradas por suas músicas, mas apenas citadas em publicações de idols com seios fartos, bunda grande ou coxas fortes. Entre elas estão Arin do Oh My Girl, que debutou em 2015 com 16 anos aqui e 17 na Coréia, Tzuyu do Twice e Somi do I.O.I, já previamente citadas, Yeri do Red Velvet e muitas outras. (considere que, as três últimas são bastante reconhecidas, mas ainda assim foram sexualizadas enquanto menores)

Consideremos também que, quando Minsung (mais conhecido por Hansol, ex topp dogg) dançava coreografias femininas e aparecia por ai com batons, era aplaudido pelos fãs internacionais, o mesmo se aplica ao Ren do Nu’est, Heechul do Super Junior e outros. Você pode afirmar que esses são justamente os conceitos previamente apoiados por girlgroups, e se seguiu essa linha de raciocínio, está correto! Contudo, vemos uma certa diferença de tratamento aqui.

Para comprovar meu ponto, trago ao foco grupos como Astro, que abusavam do conceito fofo e puro na época do debut até o último lançamento, quando começaram a mudar um pouco sua imagem, e ainda assim recebiam um apoio imenso se comparado aos grupos femininos de mesmo conceito, apoio esse que só cresce.

O fato é que boygroups sempre se safam com mais facilidade a respeito de mudanças de conceito como essas. A explicação por trás disso sendo simplesmente porque eles são homens, o que leva as pessoas a engolirem com mais facilidade o que eles fazem. As empresas desses grupos contam com isso ao fazer alguma mudança em um membro ou conceito, enquanto ggs não tem essa base firme de apoio com o qual contar. É por essa razão que precisamos abrir os olhos para essa discriminação com qualquer conceito que não seja crush, power, ou sexy.

O conforto dos idols deveria sempre ser uma de nossas prioridades, até porque no mundo do kpop, o fanservice é algo notável e constante. Nossa retribuição ao menos deveria ser a flexibilidade quanto às mudanças pelos quais eles passam e o apoio a eles quando tentam algo novo ou arriscado.

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AUTOR Wanne

Dona da página, invento uma ideia toda semana por que eu sou DOIDA. Designer, ficwriter e estudante de psicologia. To bem nervosa, tipo, constantemente. Fale comigo aqui: https://twitter.com/woosanx