Map of the soul: 7 – O BTS em sua melhor forma

Quase um ano desde seu último lançamento ‘Map of the soul: Persona’, o BTS finalmente fez seu comeback na última sexta-feira (21 de fevereiro), mobilizando multidões nas redes sociais, se consolidando como estrelas globais da música. Como dito em entrevista recente pelo próprio líder do septeto, RM (Kim Namjoon), “este álbum é uma grande declaração onde nós admitimos nosso destino, nossas luzes e sombras ao mesmo tempo.” A partir das considerações dos membros, podemos considerar esse recente trabalho como um divisor de águas, assim como uma contradição de conceitos, ao mesmo tempo que celebra os sete anos de grupo, com seus sete membros e, assim, o LP recebeu título de “Map of The Soul:7”

O álbum formado por 20 faixas, sendo cinco delas já conhecidas pelo público, como revisitação do álbum passado ‘Persona’, cujo nome fica muito bem expresso pela intro do LP, Persona, interpretada pelo líder, RM em uma jornada de autoconhecimento, relatada nos versos da faixa. Em seguimento, tempos a faixa título anterior, Boy with Luv, conhecida pelo refrão chiclete e, a participação da cantora estadunidense, Halsey. Para completar a primeira parte do álbum tempos Make it right, Jamais Vu (interpretada por Jungkook, Jin e J-hope) e Dionysus, também primeiramente lançadas em ‘Persona’, marcando presença na nova tracklist, que inicia suas faixas inéditas em ‘Interlude: Shadow

Em Shadow, o rapper principal do BTS, SUGA (Min Yoongi), usa seu flow e sua habilidade como letrista para servir de fio condutor a esse novo trabalho. A faixa de transição é uma mescla de hip-hop e trap, com transições abruptas. Em sua letra, Suga fala sobre seus anseios, dificuldades, conquistas e, acima de tudo, a forma com que ele se relaciona consigo mesmo.

Shadow‘, em tradução literal ‘Sombra’, é como um filme de trajetória, onde vemos um protagonista refém dos próprios pensamentos e angústias, o que fica claro em versos como “Estou com medo, voar alto é aterrorizante./Ninguém me disse o quão solitário é aqui em cima./Minha sombra cresce em meio á luz intensa. Por favor, não me deixe brilhar, não me decepcione, não me deixe voar. Agora, eu estou com medo.”

A faixa de pré-lançamento também atende á estética mais sombria do ‘7’, afastando o grupo do convencional pop bubblegum e, entregando um hip-hop sóbrio e acinzentado. Em Black Swan, o BTS canta sobre a agonia de uma vida sem paixões. A música também ganhou um instrumental mais orquestral em uma versão de vídeo espetacular, coreografada pela MN Dance Company, um grande estúdio de dança contemporânea esloveno. Assim como no filme ‘Cisne negro’, os meninos do BTS também estão imersos na narrativa pela perfeição artística e pressão constante, os elementos do filme também estão incorporados em suas maquiagens e adereços.

Em Black Swan, temos um grande objeto artístico que retrata graficamente a morte metafórica de um artista, neste caso, através da dança.

Na sequência, temos Filter e My time, respectivamente solos de Jimin e Jungkook, vocalistas principais do grupo. Filter, lança mão de uma certa latinidade em seu instrumental, com uma característica guitarra acústica e o vocal de Jimin em um de seus melhores momentos, fazendo a faixa soar agradável e sensual, com alta repetibilidade.

Por outro lado, My time opta por um instrumental mais pop dramático, com elementos de trap e, também traz um excelente aproveitamento da voz de Jungkook. A letra fala sobre amadurecer e, perder momentos de seu crescimento, coerentemente ligada ao fato de JK ser o mais novo entre os rapazes e, ter começado sua carreira com apenas dezesseis anos, levando-o a perder seus traços de infantilidade muito cedo.

A próxima faixa possui um pesado time de co-produção, incluindo a cantora canadense Allie X e, o cantor e compositor Troye Sivan, que contribuíram na concepção de Louder than bombs. A canção experimental faz contraste entre os versos de rap quase passivos ou, falados, para o refrão impactante e colorido, com harmonias acentuadas em mais uma utilização precisa da vocal line.

“Não desista da sua vida

Aqui eu fico, rezo

Apenas por dias melhores

Todos os dias, um labirinto

Me pergunto se é esse o meu lugar (…)

Onde está o meu caminho?

Continue agitando o chão

Sozinho em colapso

Mais alto que bombas (…)”

Louder Than Bombs – BTS

Chegando á canção de divulgação da vez, ‘ON‘ fica encarregada de ser o carro chefe do ‘Map of the soul: 7’. Com um instrumental forte em transições de hip-hop para encaixe dos raps e, percussão orgânica e vibrante durante todo o corpo da música, o BTS apresenta a parte luminosa de seu novo trabalho. ON, como o próprio nome já diz, é energética e identitária, além de portar uma das melhores pontes de toda a discografia, cantada por Jungkook. A coreografia impressionante recebe um vídeo de performance que faz jus á execução caprichosa dos membros e, de seu corpo de dançarinos. Além disto, a faixa também recebe uma regravação com participação da cantora e compositora Sia.

A energética ‘ON‘ resgata a identidade forte e resistente do conceito hip-hop do BTS, com adição de elementos mais brilhantes e uma estética clara.

As faixas UGH e Zero o’clock são interpretadas pelas linhas rap X vocal, dentro da formação do septeto. Elas ficam justapostas dentro da tracklist para fazerem contraste entre os diferentes gêneros adotados pelas unidades do grupo. UGH pertence á rap line (RM, SUGA e J-hope), é uma cypher que exibe plenamente a habilidade dos três rappers, dedicados em entregar uma excelente performance e, letras que retratam sua vida de artista. Dessa vez, os versos afiados criticam os haters em redes sociais, em uma analogia para um ‘mundo de mentira’ , onde as pessoas vivem de aparência e, da crítica á seus semelhantes.

Em contrapartida com UGH, Zero O’clock valoriza a parte vocal do Beyond the Scene (Jungkook, V, Jimin e Jin), e entrega um pop melódico e sentimental, destacando os quatro vocalistas e suas diferentes cores vocais. A letra fala sobre um tempo difícil e, um estado mental obsoleto, assim como a procura por dias melhores e felizes.

Dando espaço para o solo de V (Kim Taehyung), Inner Child é como uma capsula do tempo, onde o vocalista canta diretamente para seu ‘eu’ do passado e, fala sobre todas as mudanças de crescer e, alcançar seus objetivos. com uma construção que beira a perfeição, a faixa segue todos os parâmetros naturais da música pop, sem soar clichê, além de ter uma linda ponte.

Friends, assim como Jamais vu (Persona, 2019) e, posteriormente Respect, são faixas organizadas em unidades, diferentemente das linhas de posição. Friends, é cantada por V e Jimin e, é um retrato da amizade de longa data dos dois rapazes. A faixa contém um suave instrumental acústico, com um refrão pegajoso que grita “Você é minha alma gêmea” com toda a naturalidade, além das duas vozes que se complementam perfeitamente.

Respect é cantada por RM e SUGA, sendo a última unidade restante, resgatando o old school hip-hop já anteriormente utilizado em outras canções do grupo. A música soa como uma conversa entre os dois rappers. O objetivo é destrinchar o conceito de ‘respeito’ e, entender seu significado, criticando hierarquias sociais e, lacunas de idade. Afinal…”respeito” para quem?

“Você vai precisar daquela crença

De que existe alguém perfeito […]

Espero que um dia eu possa dizer com confiança

Que ‘respeito’ é para ambos; eu e você”

Respect – BTS

Em direção ao fim do LP, o solo de Jin, Moon, é uma expressão da relação do cantor com seus fãs, o ARMY. A letra, escrita por Jin e RM, exprime o sentimentalismo e a gratidão do BTS para com seu fandom, se tornando um dos melhores solos de Jin até o presente momento, justamente por deixar a zona de conforto das ballads e, apostar em elementos de pop e rock contidos.

“Você é a minha terra

Tudo que eu vejo é você

Eu apenas posso te observar assim […]

Eu não tinha nem um nome

Antes de te conhecer

Você me deu amor

E tornou-se a minha razão. “

Moon – BTS (Jin)

Seguindo a linha de homenagem ao ARMY, a última faixa de ‘7’ sustenta o nome de ‘We are Bulletproof: the Eternal‘ e homenageia não só os fãs, como também toda a história e repertório dos ‘Garotos à prova de balas’ nos últimos sete anos. A faixa retoma um pouco da falta de luz do início do álbum, porém possui uma beleza e redenção indiscutíveis, celebrando as multidões que o BTS arrasta diariamente com sua musicalidade, carisma e expressão artística.

“Nós éramos apenas sete

Mas agora, temos vocês

Depois de sete invernos e primaveras

Na ponta de nossos dedos entrelaçados

Chegamos ao céu

Jogue pedras em mim, não temos mais medo

Nós estamos juntos, à prova de balas”

We are Bulletproof: The Eternal – BTS

Terminando o álbum em uma grande festa colorida temos a Outro: Ego, interpretada por J-hope (Jung Hoseok). A faixa, assim como Hope, representa a esperança e a vitalidade em Map of the Soul, em uma finalização agridoce, com elementos pop, afrobeat, hip-hop e R&B. Ego é divertida e versátil, já entregando sua pretensão nos primeiros momentos ao dizer que “Agora vamos avançar para etapas mais difíceis”, podendo se referir ao corpo da canção, mas também á carreira do BTS e, seu amadurecimento na música. Além de rememorar trabalhos anteriores do grupo, Ego também fala pessoalmente sobre Hoseok e, seus arrependimentos e conquistas.

Em “EGO”, o dançarino e rapper, J-hope fica encarregado de terminar com maestria este ciclo de lançamentos, banhado em referências de outras etapas de sua carreira, muito bom humor e versatilidade.

Em meio a muitas críticas e momentos negativos, o BTS se encaixa em um contexto de revolução da música pop, com poucas ou nenhuma falha de execução, entregando um de seus trabalhos mais coesos em sete anos. O Map of the Soul: 7 é, sem dúvida muito maior do que qualquer recorde e, isso fica claro a cada faixa ou transição. Pelos próximos anos, será um prazer continuar a acompanhar o crescimento desses sete jovens impressionantes.

Ouça o álbum, na íntegra, clicando na caixa abaixo.

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AUTOR gabbie