iKON: i DECIDE – Resenha e comentários

Depois de chegar ao que muitos considerariam o auge de sua carreira em 2018 e, passar por diversas complicações em 2019, iKON finalmente retornou com terceiro EP, intitulado ‘i DECIDE‘. Considerando os incidentes no último ano, o sexteto fez seu primeiro lançamento com nova formação no último dia 06 de fevereiro, ainda sob agenciamento da  YG Entertainment. 

O trabalho gerou curiosidade do público, por ser o primeiro álbum de iKON sem seu líder, Kim Hanbin (B.I), removido do grupo pela empresa (YG Entertainment), por suposto envolvimento com drogas. A agência, que nunca foi conhecida pelo politicamente correto, ainda sofre críticas de internautas pela decisão. Embora ainda hajam controvérsias, ficou resolvido que não haveria remoção das canções compostas e produzidas por B.I neste álbum, suas partes apenas seriam regravadas, o que revoltou ainda mais seu fandom, ikonic.

Hanbin, que sempre tomou parte na produção geral dos trabalhos anteriores do iKON, foi creditado pelas faixas que participou, mas não recebeu créditos como produtor principal do i DECIDE, conforme conteúdo dos CD’s físicos. 

Ainda nesta linha, é impossível não reparar na tentativa de YG em sabotar os próprios artistas, atrasando amostras e teasers do álbum e, diversas vezes deletando postagens referentes a ele nas redes sociais. As fãs do grupo ainda perceberam um possível corte no orçamento da confecção e divulgação do comeback. Apesar de todas as complicações, é inegável que o EP foi muito bem executado em suas cinco faixas, deixando clara a tentativa do iKON em se reinventar em questões de conceito e, provando que os garotos têm grande apoio do público internacional, já que sua faixa título ‘Dive‘, alcançou mais de 25 primeiros lugares no itunes mundialmente. 

A estética, já definida através do filme teaser, entrega uma ideia de reinvenção, assim como a revisitação do visual já estabelecido pelo grupo. As cores oficiais do grupo, vermelho e alaranjado, se tornam bastante presentes em toda sua carreira, como uma marca registrada. Em seu trailer de conceito, o iKON aparece em cenários de seus antigos MV’s, enquanto Bobby narra um monólogo sobre se reencontrar no lugar em que eles começaram, já deixando clara a dolorosa caminhada dos meninos para se reafirmarem na indústria, agora com seis membros, mas acima disto, para se mostrarem como um novo iKON em sua própria impressão. E é nessa linha que o álbum se dá a partir daí: iKON referenciando sua antiga carreira, dando continuidade á sua história pelo seu novo e próprio caminho e, pela sua decisão. E então, essa mesma decisão nomeia seu mais novo trabalho, aqui está ‘i DECIDE’. 

Em seu terceiro e, ousado mini álbum, o sexteto passa por diversos estilos e é repleto de experimentações, ressaltando as habilidades dos membros em sua tracklist.

A faixa que abre o EP, não poderia ter sido melhor escolhida e, recebe o nome de ‘Ah Yeah‘. Composta por B.I e Bobby, a música começa com o pé na porta, uma forte percussão e, durante sua estrutura possui elementos de rock e raggae, numa grande mistura com quebras de trap. A produção ficou por conta de Millenium, um elemento da conhecido dos fãs da YG e, de iKON. O sucesso dos pré-refrões ajudam a entregar o clímax chiclete na faixa.

Prosseguindo, chegamos á faixa título, chamada ‘Dive‘, o carro chefe do terceiro mini álbum do grupo. Dive possui elementos de country, pop, EDM e até alguns relances de orquestra. A letra emocional e meticulosamente escrita, chamou atenção dos fãs assim que foi lançada em versos como “Se você é o fogo, vou mergulhar nele/Direi que é agradável e me incendiarei/Se você é um caminho de espinhos, vou mergulhar nele/Direi que é macio e me jogarei”.

O vídeo musical transmite frieza e solidão, apesar do set de filmagem estar em chamas durante boa parte do tempo. As cenas individuais mostram os membros em situações de desconforto e até mesmo prisão, materializando a proposta do MV e do álbum, que possui intento de libertar os seis garotos através da expressão artística, como sua música, dança e estética.

A coreografia e performances muito bem construídas, ajudam a dar o clima pós-apocalíptico, em analogia com o final de relacionamento, como diz a letra da música. Os vocalistas foram muito bem aproveitados e, a nova formação brilha dentro de suas limitações.

iKON faz seu primeiro retorno com seis membros, em meio chamas, remetendo a pedaços anteriores de suas carreiras.

Dessa vez, ‘All the world‘ fica responsável por fazer a transição entre a parte vendível e, a parte mais contida do álbum. Para esta faixa, o sexteto contou com a participação de JinKang e Dusty como produtores. O flow do rapper principal, Bobby soa agradável e preciso, além das letras excelentes. Dentre as cinco novas músicas, All the world seria a que mais remete á seu primeiro álbum, Welcome Back. A vibe demonstra o apreço do grupo pelo verão e a diversão, espalhados uniformemente pela construção e, principalmente na ponte e últimos refrões, onde os meninos cantam juntos como em uma grande festa.

Em direção ao final, temos a orgânica ‘Holding on’. A faixa começa em downtempo, apenas com voz e piano, mas se anima no refrão, com mais instrumentos de orquestra e sintetizadores. Holding on traz um clima alegre e, carrega o um sentimento de alívio e liberdade. A letra, composta por Hanbin (B.I), fala sobre uma difícil despedida e, sobre alguém que não voltará, mas também sobre como o tempo seria sua cura após a partida.

“Finalmente entendi o que eles queriam dizer quando falam

‘o tempo cura todas as feridas’

Estou suportando

Me agarrando a esta solidão

Eu espero que essa nostalgia volte

Dói pensar sobre isso, mas eu vou seguir em frente

Eu apenas sinto sua falta de tempos em tempos,

mas estou aguentando …”

iKON – Holding On

A finalização fica em cargo de ‘Flower‘. Kim Donghyuk (vocais e dança), fez seu debut como produtor principal e tomou frente da faixa, que é a ballad do álbum. Em recente entrevista, DK revelou que escreveu a música com os fãs em mente, no entanto, surgiram especulações de que ‘Flower’ teria sido escrita para seu ex-líder. A ballad mescla um instrumental lento com a sobreposição de vozes em seu refrão, sendo uma experiência deleitosa aos ouvintes. Em questões de performance, Flower recebeu uma apresentação bonita e delicada, com vários dançarinos de palco.


‘Flower’, de iKON, possui uma performance delicada e, encena as dificuldades das despedidas.

O iKON, que tem tido problemas com aceitação do público geral desde sua estréia, recebendo apoio de seu fandom. Agora inicia sua nova fase, com um trabalho completo e plural. Apesar das dificuldades e, obstáculos, o grupo mostrou sua força e talento em mais uma execução impecável, musicalmente e, visualmente. Esperamos que no futuro, o grupo atue de forma autônoma e, tomem suas próprias decisões, aperfeiçoando sua música, seguindo o apelo inicial desse novo EP.

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AUTOR gabbie